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JB Online

A leitura pode ser um vício impunido

A infância, com os livros coloridos, e logo a adolescência, é a idade ideal para incutir nas crianças o vício da leitura – vício impunido, como o chamava Valery Larbaud. A imprensa, nas palavras do papa Gregório XVI, é uma arte execranda e detestável, ou se preferirmos a linguagem litúrgica haec detestabilis atque execranda, condenação que a acompanhou desde as origens. O que, aliás, continua até hoje: viciado irrecuperável, Annibal Augusto Gama refere que, “há cerca de sessenta anos, no pátio do Colégio dos Maristas, em Franca, os irmãos mandavam queimar uma boa centena de livros tidos como érios, entre eles alguns de Monteiro Lobato”, incinerado simbolicamente através dos tempos. Assim, a leitura pode ser um vício impunido e escondido, como todos os vícios, não sendo poucas as punições que a escrita e seus autores vieram sofrendo, na fogueira, nas prisões e no exílio, “desde que há homens e que escrevem”, para repetir as palavras de La Bruyère.

31 janeiro 2009

O autor Javier Marías reflete personalidade original

Javier Marías – um dos mais importantes nomes da ficção europeia contemporânea – não escreve no computador, não tem e-mail nem celular. Pode parecer pose desse espanhol nascido em 1951, que se autointitula rei de Redonda, uma minúscula ilha antilhana habitada por alcatrazes, e que, nas fotografias que lhe tiram, quase sempre aparece com um cigarro aceso e politicamente incorreto seguro na mão esquerda. Na verdade, o apego a uma velha máquina de escrever eletrônica Olympia, modelo de luxo, é mais um traço de uma personalidade original, que se reflete numa literatura diferente de tudo o que se faz hoje. “Gosto de escrever no papel. Enquanto me permitirem, vou continuar batucando em velhas máquinas e corrigindo à mão”, explica Marías no fax – como de outra maneira? – enviado ao Ideias, com suas respostas datilografadas – onde mais? – na folha em branco. O escritor chega ao ponto mais alto da sua trajetória, até o momento, com a publicação, em três volumes, de Seu rosto amanhã, projeto que lhe consumiu nove anos e que soma mais de 1.600 páginas impressas. O terceiro volume, Veneno y sombra y adiós, saiu em outubro de 2007, e tem tradução prevista para 2010, pela Companhia das Letras, que publicou os dois anteriores, Febre e lança e Dança e sonho.

31 janeiro 2009

O leitor chega às livrarias

Desde o lançamento de O perfume, de Patrick Süskind, O leitor (Record, 240 pp., R$ 29), de Bernhard Schlink, é a obra alemã mais aclamada por crítica e leitores, e vencedora de vários prêmios, entre os quais o Welt (Alemanha), o Grinzane Cavour (Itália) e o Laure Bataillon (França). Inspirou o filme homônimo, estrelado por Kate Winslet e Ralph Fiennes, que chega ao Brasil em fevereiro. Michael tem 15 anos quando conhece Hanna, uma mulher 21 anos mais velha. É o início de uma delicada relação amorosa, marcada por pequenos gestos e rituais. A leitura de clássicos de Tolstói, Dieckens e Goethe precede os encontros sensuais. Ao longo de meses, o casal repete essas cerimônias, interrompidas pelo súbito desaparecimento de Hanna.

22 janeiro 2009

Renovação da cena literária francesa

Uma nova e multifacetada literatura francesa vai ser apresentada ao público brasileiro a partir de abril, quando começa oficialmente o Ano da França no Brasil. A estratégia está centrada em três pilares: caravanas em eventos, visita de autores e ajuda às editoras para publicações. Uma coletânea intitulada Os novos rostos da narrativa francesa, da editora gaúcha Sulina, com 20 jovens autores inéditos no Brasil, será lançada, em setembro, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro. Três caravanas devem mobilizar os principais eventos literários do país durante o ano. A primeira delas, em julho, aproveitará a Feira Literária de Paraty para focar a jovem literatura francesa. Em setembro, entra em cena a chamada “França multicultural”, reflexo da produção influenciada por culturas estrangeiras, principalmente africanas. Em novembro, o país será homenageado na Feira do Livro de Porto Alegre, e convidado de honra de dois eventos literários importantes: o Forum das Letras de Ouro Preto e a Bienal do livro de Recife. O governo francês distribuiu 150 mil euros entre editoras brasileiras (Martin Claret, Record, Objetiva, Companhia das Letras, Jorge Zahar, entre outras) para a publicação de autores franceses de ciências humanas. Outros 30 mil euros devem ser destinados à projetos de ficção. As manifestações literárias do Ano da França no Brasil, porém, não se limitarão a eventos e publicações. Até o fim de 2009, serão digitalizados mil documentos raros que registram a influência da cultura francesa na brasileira.

13 janeiro 2009

Criatividade se torna pré-requisito

Em meio ao caldeirão de críticas e análises sobre a assinatura do novo Acordo Ortográfico surge um questionamento muito relevante: o aprendizado dos alunos. Qual deve ser a metodologia adotada pelos professores para que os alunos sofram menos com as transformações? Como será a adaptação daquelas crianças que já sabem ler às novas regras da escrita? Qual deve ser o nível de cobrança das escolas e a preparação dos professores? Perguntas para as quais os pais querem respostas. Especialistas ouvidos pelo Jornal do Brasil garantem que, para um aprendizado menos doloroso, os educadores terão de estimular a criatividade. “Com os alunos recém alfabetizados, os professores de língua portuguesa vão ter de ensinar de uma forma mais lúdica, com joguinhos e brincadeiras para que o conteúdo seja fixado de uma maneira mais leve”, sugere a doutora em educação e professora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Bertha do Valle.

12 janeiro 2009

Primeira edição de Gomorra já está esgotada

O livro Gomorra, do jornalista italiano Roberto Saviano, já teve sua primeira edição brasileira, de 20 mil títulos, esgotada em apenas uma semana. A segunda fornada chega às prateleiras nos próximos dias, diz nota publicada pelo JB Online. A obra, um grande sucesso editorial na Itália e em outros países, e publicada aqui pela Bertrand Brasil, é baseada nas investigações feitas pelo próprio Saviano, sobre as atividades da família Camorra, que controla a máfia napolitana. O autor foi ameçado pelos criminosos, depois que o livro virou best-seller, e ficou dois anos sob proteção policial. O título foi transformado em longa-metragem, dirigido por Matteo Garrone, já em cartaz nos cinemas cariocas.

23 dezembro 2008

Para ler Shakespeare

A última do bardo é a seguinte: segundo o pesquisador britânico Rick Thomas, William Shakespeare (1564-1616) deixou de escrever três anos antes de sua morte porque ficou cego. O motivo foi ter passado horas e horas trabalhando à luz de velas. É mais uma teoria das muitas que envolvem a vida do dramaturgo e, dentre tantas, ao menos deixa Shakespeare em boa companhia: Homero, John Milton, Camilo Castelo Branco, James Joyce, Borges, John Fante. E até Alberto Mussa não enxerga muito bem. Diante de tão fortes suposições, o melhor é ler Shakespeare. Pois não há dúvida de que ele – seja lá quem tenha sido – é o maior escritor de língua inglesa de todos os tempos – talvez mesmo o maior escritor de todos os tempos. Criou personagens, dramas, comédias e falas que ganharam o mundo inteiro e permanecem cada vez mais atuais. A totalidade de suas peças teatrais acaba de ser reunida em três volumes pela editora Agir. As comédias, os dramas históricos e as tragédias aparecem na clássica tradução de Carlos Alberto Nunes, também responsável pela organização dos livros. Trata-se de uma reedição da obra lançada originalmente em 1954. Na capa dura, estão reproduzidos os únicos três retratos do autor.

20 dezembro 2008

Craque relegado ao segundo time, Dumas não é só aventura

Treze anos depois da publicação de O conde de Monte Cristo, Alexandre Dumas, o pai, ainda andava enfezado com os boatos sobre a autoria do romance. Na Itália, por exemplo, juravam de pés juntos que a história saíra pela pena do florentino Dante. Mas talvez por vingança – por acaso, um tema caro a Dumas – a prova que reivindica para ele a autoria do texto vem justo daquele país: o francês teria decidido escrever a aventura após uma caçada a perdizes e coelhos, no bucólico arquipélago da ilha de Elba, na companhia do irmão caçula de Napoleão Bonaparte. Seja como for, a questão é que Dumas, de fato, não era o único autor de suas obras. Muito pelo contrário: espécie de Aleijadinho das letras francesas, era o nome e o estilo que assinava os textos feitos, na maioria das vezes, por muitas mãos. Tinha dezenas de colaboradores, uma das chaves para sua espantosa produção: 646 títulos e milhares de personagens inventados. Ao que parece, Dumas não era muito bom em idéias, mas ótimo em desenvolvê-las. Seus assistentes davam-lhe o argumento e ele, deitando a mão, inventava o rocambole.

20 dezembro 2008

Campanha Natal Sem Fome recebe donativos até sexta

Cerca de 700 lideranças comunitárias de 20 municípios fluminenses fazem a partir desta quarta-feira uma vigília de 24 horas para marcar o encerramento da campanha Natal sem Fome dos Sonhos deste ano. Durante este período, eles ficarão concentrados no Centro Cultural Ação da Cidadania, na zona portuária do Rio de Janeiro, recebendo as doações vindas dos cerca de 200 postos de coleta instalados no estado. De acordo com a coordenadora da campanha, Maria José Andrade, a finalidade é arrecadar, até sexta-feira, 200 mil brinquedos. Até agora, as doações somam, somente no Rio de Janeiro, 150 mil brinquedos e 30 mil livros. Os interessados em fazer doações podem levar brinquedos e livros até o comitê da Ação da Cidadania, na Rua Barão de Tefé, 75, Saúde, na zona portuária do Rio. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone 21-2233-7460.

18 dezembro 2008

Guess lança livro comemorativo com imagens de campanhas

A grife norte-americana Guess, lançada em 81, acaba de lançar um livro comemorativo com 30 imagens de campanhas que marcaram a história da marca, informa Heloisa Tolipan. Entre as beldades que estampam as páginas do livro, Carla Bruni, Naomi Campbell, Adriana Lima e Charlize Theron. No Brasil circularão apenas 25 exemplares, sendo 15 para clientes vip da Guess e outras 10 ficarão à venda na loja situada na Oscar Freire, em São Paulo. O precinho estimado do livro deixamos por conta da imaginação de cada um.

17 dezembro 2008