Craque relegado ao segundo time, Dumas não é só aventura
Treze anos depois da publicação de O conde de Monte Cristo, Alexandre Dumas, o pai, ainda andava enfezado com os boatos sobre a autoria do romance. Na Itália, por exemplo, juravam de pés juntos que a história saíra pela pena do florentino Dante. Mas talvez por vingança – por acaso, um tema caro a Dumas – a prova que reivindica para ele a autoria do texto vem justo daquele país: o francês teria decidido escrever a aventura após uma caçada a perdizes e coelhos, no bucólico arquipélago da ilha de Elba, na companhia do irmão caçula de Napoleão Bonaparte. Seja como for, a questão é que Dumas, de fato, não era o único autor de suas obras. Muito pelo contrário: espécie de Aleijadinho das letras francesas, era o nome e o estilo que assinava os textos feitos, na maioria das vezes, por muitas mãos. Tinha dezenas de colaboradores, uma das chaves para sua espantosa produção: 646 títulos e milhares de personagens inventados. Ao que parece, Dumas não era muito bom em idéias, mas ótimo em desenvolvê-las. Seus assistentes davam-lhe o argumento e ele, deitando a mão, inventava o rocambole.
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