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Portal Literal

Editora carioca

O nome ainda não está escolhido, mas já é certo que a Secretaria Municipal das Culturas do Rio de Janeiro terá uma editora própria a partir de 2004. O projeto não acabará com as parcerias da Prefeitura com outras editoras, mas se voltará para publicações específicas sobre a cidade. Está sendo feito um estudo sobre como funciona uma editora para se fechar o formato desse novo departamento da pasta de Ricardo Macieira. Na avaliação da Prefeitura, há muitos livros sendo feitos com recursos municipais, mas falta uma linha editorial, lacuna que seria sanada com esse projeto. O editor responsável pelo selo deverá ser o jornalista Leonel Kaz.

22 agosto 2003

Mais um prêmio para Rubem Fonseca

Menos de três meses depois de ser escolhido o vencedor de 2003 do Prêmio Camões, o mais importante para autores de língua portuguesa, Rubem Fonseca ganha outro fundamental prêmio literário: o Juan Rulfo. O nome do escritor foi anunciado nesta segunda-feira pelos organizadores da Feira Internacional do Livro de Guadalajara, que é realizada anualmente na cidade mexicana e, neste ano, acontecerá em novembro, quando o prêmio será entregue.

5 agosto 2003

Abertura poética

O conhecido e contumaz coro dos descontentes cochichou nas ruas e até publicou em jornais que a 1ª Festa Literária Internacional de Paraty agradou apenas a convidados vips em sua noite de abertura, mas não foi o que realmente se ouviu no meio do público que compareceu à Praça da Matriz. A homenagem a Vinicius de Moraes que deu o pontapé inicial no evento literário foi pontuado por calorosas palmas e bastante emoção, no palco e na platéia. No palco, um ministro Gilberto Gil visivelmente emocionado dançou logo que chegou ao palco e saudou, em sua primeira visita à cidade colonial, o evento literário e Vinicius, encerrando a noite cantando "Formosa", samba do poeta com Baden. Antes dele, um Chico Buarque nervoso leu poemas do parceiro e compadre, e cantou as músicas "Medo de amar" e "Sem você". Um dos momentos mais emocionantes da cerimônia foi a leitura do poema de Vinicius "Pátria minha" por Antonio Cicero. Ele antecedeu a entrada no palco de Adriana Calcanhotto, que interpretou "Eu sei que vou te amar", "Ela é carioca" e "O poeta aprendiz". A mestre-de-cerimônias desta parte, por assim dizer, artística da noite foi Susana de Moraes, que leu três poemas do pai: "Poema do corifeu", "Poética 1" e "Soneto da intimidade", este lido em inglês na tradução de Elisabeth Bishop. O outro mestre-de-cerimônias foi o inglês Paul Heritage, diretor teatral que trabalha com presos e menores infratores no Brasil e que foi um dos grandes entusiastas da Flip. Paul, além de introduzir e traduzir com muita correção e empolgação os discursos iniciais, emocionou o público ao lembrar Carlos Calchi, seu companheiro assassinado há apenas duas semanas na Avenida Brasil, no Estado do Rio, por causa de um problema de trânsito.

1 agosto 2003

Parati estrelada

A 1ª Festa Literária Internacional de Parati (Flip), que acontecerá entre 31 de julho e 3 de agosto na cidade colonial do Estado do Rio, ganhou adesões de peso nos últimos dias. Chico Buarque, que edita seus livros no Reino Unido pela Bloomsbury (editora de Liz Calder, presidente da Flip), aceitou participar da homenagem a Vinicius de Moraes que abrirá o evento. Ainda não está certo se cantará ou lerá versos de Vinicius, mas ele estará na noite do dia 31 ao lado de Adriana Calcanhotto, Antonio Cicero, Susana Moraes (filha do poeta) e, possivelmente, Ferreira Gullar, além de Gilberto Gil, que estará no papel de ministro da Cultura, mas que poderá participar da seção musical da homenagem. Entre as outras atrações nacionais da festa, a novidade é Millôr Fernandes, que participará ao lado de Ruy Castro e Luis Fernando Verissimo numa mesa sobre humor prevista para a noite de sábado 2. Entre as participações internacionais, a novidade é Don DeLillo, um dos grandes autores americanos da atualidade, que falará com o público no domingo 3. Dentre as estrelas da programação, ele entra no lugar de Michael Ondaatje, que não poderá vir. Os ingleses Eric Hobsbawn, Julian Barnes e Hanif Kureishi são os outros convidados internacionais do evento, que pretende se firmar como anual.

1 julho 2003

PublishNews em carne, osso e uma dúvida

Na última Bienal do Livro do Rio de Janeiro, em maio passado, não foram muitas as pessoas que pararam no estande da Carrenho Editorial e compraram algum de seus seis títulos, mas muita gente do mercado de livros ficou radiante por, enfim, conhecer em carne e osso o PublishNews. Para quem não é um de seus 2.900 cadastrados, informa-se que o PublishNews é o mais lido clipping do meio editorial brasileiro, reunindo notícias publicadas em jornais e revistas nacionais e internacionais. Sua história de sucesso surpreende tanto quem o lê de segunda a sexta-feira quanto seu próprio inventor, o paulista Carlo Carrenho. "Quando eu resolvi fazer o clipping, sabia que tinha um vazio nessa área, mas não imaginava que a carência fosse tão grande", afirma Carlo, 30 anos, que toca o PublishNews e também a Carrenho Editorial em uma pequena sala na capital paulista, contando com a ajuda de apenas uma pessoa, Rodrigo Diogo. "A estrutura é reduzidíssima, mas mesmo assim está muito difícil manter o clipping", diz ele. Tendo nascido de maneira absolutamente informal, o PublishNews ficou mais robusto a partir de agosto de 2002, quando passou a contar com o suporte tecnológico do SuperPedido. Mas foi em janeiro de 2003 que ele ganhou um patrocínio indireto. A Câmara Brasileira do Livro contratou Carlo para fazer seu clipping, e este trabalho remunerado se tornou a base do PublishNews. Em abril, pouco depois de Oswaldo Siciliano assumir a presidência da CBL, a função de Carlo passou a ser exercida pela assessoria de imprensa da instituição, e ele iniciou sua busca por formas de manter vivo seu próprio clipping. "Estou fazendo contatos com empresas de papel, gráficas etc., mas ainda não há nada concreto", diz Carlo.

24 junho 2003

A ausência de uma presença múltipla

O poeta e artista de sete instrumentos cujo nome vinha sempre associado a rótulos como "marginal" e "contracultura" se despediu da vida como secretário de Estado. E não há qualquer ironia ou contradição nisso. Waly Salomão não entendia poesia, música, ação cultural, mídia, governos como coisas estanques que se relacionam aqui e ali. Para este filho de pai sírio e mãe baiana que se tornou um desbragado carioca, culturas, fatos, palavras e pessoas poderiam interagir das mais variadas formas, contanto que houvesse na tal interação fortes doses de desejo, criação e exuberância. As "algaravias" - título de um livro seu - que Waly não se cansava de produzir foram interrompidas nesta segunda-feira (5/5), aos 59 anos do poeta, por um câncer. Seu velório na Biblioteca Nacional reuniu Caetano Veloso, Cacá Diegues, Gal Costa, Adriana Calcanhotto, Arnaldo Antunes, Jards Macalé, Antonio Cicero e muitos outros que tinham por ele a única coisa que era possível (mesmo que, às vezes, pudesse ser em forma de raiva): paixão.

9 maio 2003

Pequenas editoras, grandes sonhos

Facilidades tecnológicas e segmentação do mercado abrem portas para o surgimento de inúmeros selos domésticos, tocados por uma ou duas pessoas e nos quais o profissionalismo convive com uma grande dose de romantismo. Algumas dessas editoras têm provocado boas surpresas com lançamentos ou relançamentos ousados. Em quase todas, faltam recursos e sobra autonomia. Com apenas um ou, no máximo, dois proprietários, os catálogos dessas editoras acabam saindo a imagem e semelhança dos donos, que geralmente se dão ao direito de publicar livros que gostariam de ler ou escrever. Apesar da estrutura acanhada, volta e meia, editoras nanicas surpreendem. Recentemente, a carioca Azougue, dos irmãos Sérgio e Clarice Cohn, chamou atenção dos cadernos de literatura com Mitologia do kaos, de Jorge Mautner. Em São Paulo, Eliana Sá, da Sá Editora, vislumbra um futuro de bons negócios com a adaptação para o cinema de De moto pela América do Sul - Diário de viagem, de Ernesto Che Guevara. A possibilidade de boas vendas anima. Mas, definitivamente, a idéia de retorno imediato não move esse tipo de empreendimento. "Quem dera viver dos livros. O sonho está longe, muito longe. Minha mulher e eu somos jornalistas. Eu dou aula no curso de Comunicação da PUC de São Paulo e nós dois fazemos frilas de textos, escrevemos roteiros e matérias", explica Sérgio Pinto de Almeida, que divide as atribuições da editora Papagaio com a mulher, Denise Natale.

15 abril 2003

São Paulo em outro tempo

Quando foi lançado, em 1963, Belènzinho, 1910 (Carrenho Editorial / Narrativa Um, 296 pp.) foi, para usar o clichê, sucesso de público e crítica: freqüentou as listas dos mais vendidos e ganhou o Prêmio Jabuti de melhor livro de memórias do ano. Seu autor, Jacob Penteado (1900-1973), faz um retrato precioso do bairro paulistano do Belenzinho e, por tabela, da São Paulo do início do século XX. Depois de se tornar, nas últimas décadas, estrela de sebos e bibliotecas da cidade, Belènzinho, 1910 vai voltar às livrarias a partir de abril. Clique no título da matéria e leia o trecho do livro sobre "O Minarete", chalé que se tornou sede de encontros de um grupo do qual fazia parte Monteiro Lobato.

4 abril 2003

O pequeno grande livreiro

Rui Campos é hoje um dos personagens mais populares e queridos da vida cultural carioca. Livreiro das antigas, foi dono das livrarias Muro e Dazibao, ícones dos anos 70/80. Hoje domina o mercado livreiro independente com as várias Travessas que pontuam o mapa cultural do Rio de Janeiro. Além de contar os bastidores da vida de um livreiro de sucesso, Rui, em entrevista concedida ao Portal Literal, analisa os problemas e as perspectivas comerciais das livrarias frente à onda do monopólio das grandes cadeiras multinacionais de livrarias e do mercado virtual de livros. Diz também que, para o mercado ser forte, livreiros e editores precisam atuar como parceiros, inclusive nas compras feitas pelos governos. Clique no título da matéria e leia a entrevista com Rui Campos.

28 março 2003

Verissimo para lembrar

Um comitê de The New York Public Library, uma das mais importantes bibliotecas do mundo, escolhe todos os anos 25 livros lançados no ano anterior para receberem a bela designação "Books to Remember" (Livros para Lembrar). Na lista de 2003 está The club of angels, ou Gula - O clube dos anjos, romance de Luis Fernando Verissimo que saiu no Brasil em 1999 pela editora Objetiva, dentro da coleção Plenos Pecados, e chegou aos Estados Unidos em 2002 com o selo New Directions e tradução de Margaret Jull Costa.

26 março 2003