Pequenas editoras, grandes sonhos
Facilidades tecnológicas e segmentação do mercado abrem portas para o surgimento de inúmeros selos domésticos, tocados por uma ou duas pessoas e nos quais o profissionalismo convive com uma grande dose de romantismo. Algumas dessas editoras têm provocado boas surpresas com lançamentos ou relançamentos ousados. Em quase todas, faltam recursos e sobra autonomia. Com apenas um ou, no máximo, dois proprietários, os catálogos dessas editoras acabam saindo a imagem e semelhança dos donos, que geralmente se dão ao direito de publicar livros que gostariam de ler ou escrever. Apesar da estrutura acanhada, volta e meia, editoras nanicas surpreendem. Recentemente, a carioca Azougue, dos irmãos Sérgio e Clarice Cohn, chamou atenção dos cadernos de literatura com Mitologia do kaos, de Jorge Mautner. Em São Paulo, Eliana Sá, da Sá Editora, vislumbra um futuro de bons negócios com a adaptação para o cinema de De moto pela América do Sul – Diário de viagem, de Ernesto Che Guevara. A possibilidade de boas vendas anima. Mas, definitivamente, a idéia de retorno imediato não move esse tipo de empreendimento. “Quem dera viver dos livros. O sonho está longe, muito longe. Minha mulher e eu somos jornalistas. Eu dou aula no curso de Comunicação da PUC de São Paulo e nós dois fazemos frilas de textos, escrevemos roteiros e matérias”, explica Sérgio Pinto de Almeida, que divide as atribuições da editora Papagaio com a mulher, Denise Natale.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta
