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Portal Literal

Deu na Economist

Somos um país de não-leitores. É o que afirma o semanário britânico em artigo, associando a situação precária de nossas bibliotecas públicas e o baixo índice de leitura às vergonhosas taxas de juros e índices de criminalidade. Clique aqui para ler o artigo.

24 março 2006

A literatura de ficção morreu? (Mais uma vez)

Muito antes de publicar o meu primeiro livro eu já ouvia dizer que o romance e o conto estavam mortos. Parece que a primeira morte teria sido anunciada ainda em 1880, não obstante, como todos sabem, Emily Dickinson, Tchekov, Proust, Joyce, Kafka, Maupassant, Henry James, o nosso Machado, Eça, Mallarmé, as Bronte, Fernando Pessoa (um pouco mais tarde) estivessem ativos naquela época. No início do séc. XX, com o lançamento, por Henry Ford, do Ford Model T, um automóvel popular, construído numa linha de montagem, um carro barato que em poucos anos vendeu mais de quinze milhões de unidades, as Cassandras afirmaram que agora a literatura de ficção, na qual se incluía a poesia, estava mesmo com os dias contados. Dentro de pouco tempo todas as pessoas teriam automóvel e usariam o carro para passear, fazer compras, namorar em vez de ficarem em casa lendo. Ou porque não soubessem o que lhes reservava o futuro, ou lá porque fosse, o certo é que muitos escritores, como Yeats, Benavente, Galsworthy, Selma Lagerlof, Rilke, Kavafis, Edna St. Vincent Millay continuaram escrevendo, e talvez até mesmo tivessem um Model T na garagem deles. Nova anunciação mortal veio logo em seguida, causada pelo cinema, denominado de Sétima Arte. Uma pesquisa da época mostrou que em cada 100 pessoas 80 freqüentavam o cinema e 2 (duas!) liam livros de ficção. Agora mesmo é que a literatura, enfim, havia morrido. Desta vez não tinha salvação. Mas Sinclair Lewis, Thomas Mann, Bunin, Céline, Ana Akhmatova, O'Neill, Pirandello, e muitos outros não sabiam disso. (Os dois últimos são autores de teatro, mas o teatro começou a morrer antes). Acesse o Portal Literal e leia na íntegra o texto de Rubem Fonseca.

28 fevereiro 2006

Indústrias criativas

Responsável por milhares de empregos e boa parcela do PIB, a produção cultural brasileira ganha um centro para discutir como viabilizá-la economicamente. Clique aqui e leia a entrevista com a consultora Anna Jaguaribe e entenda qual a diferença entre indústria criativa e o velho conceito de indústria cultural. A forma de produzir e circular cultura se modificou. A clássica discussão sobre se estamos ou não comercializando produtos culturais está deslocada. A economia criativa, cada vez mais em expansão, parte do pressuposto que existe uma circulação de bens e serviços simbólicos. O que interessa saber é como isso se produz e como pode ser usado para modificar um cenário de crescente oligopolização, não só da circulação e do controle sobre a distribuição, mas, também do controle sobre a informação. Esta é a proposta do Centro Internacional da Economia Criativa (CIEC). Na última sexta-feira, dia 17, o ministro da Cultura, Gilberto Gil, visitou a futura sede do CIEC, que funcionará no espaço cedido pelo Governo do Estado da Bahia, localizado no prédio da Unesco, no Centro Histórico do Pelourinho, em Salvador. A previsão é que até junho deste ano o centro esteja instalado, promovendo estratégias para o fortalecimento da economia da cultura no processo de desenvolvimento dos países emergentes, como o Brasil e demais países do Hemisfério Sul.

20 fevereiro 2006

Inteligência Ltda.

Divulgar livros de forma simples e barata, do autor ao leitor. Essa é a saída proposta pelo site Inteligência Ltda. para escritores independentes exporem suas obras e entrarem em contato direto com os leitores. O serviço de divulgação é gratuito e as vendas realizadas pelo autor não são comissionadas. Caso ele prefira não operar a venda, o site cobrará uma taxa de distribuição inferior à do mercado. Inteligência Ltda. divulga o trabalho de escritores independentes, expondo suas obras e colocando autores e leitores em contato. Lá, o autor encontrará informações que o ajudarão a transformar seus originais em livro, e meios de vendê-los aos leitores - sem intermediários -, recebendo o máximo pelo seu trabalho. Mais detalhes podem ser encontrados na seção divulgue seu livro. O site não pode se responsabilizar pelas ações de participantes e colaboradores, mas tentará impedir abusos que forem relatados e comprovados, para garantir o máximo de segurança a seus usuários.

9 fevereiro 2006

Capas em quadrinhos

Já imaginou clássicos da literatura com capas feitas por mestres dos quadrinhos e do desenho? Pois é isso que a Penguin está fazendo lá fora. O primeiro foi Cândido, de Voltaire com capa do desenhista Chris Ware, e a coleção segue com Trilogia de Nova York, de Paul Auster e arte de Art Spiegelman; The Jungle, de Upton Sinclair, capa de Charles Burns; The Portable Dorothy Parker, com capa de Seth; e Contos de fadas, de Hans Christian Andersen e arte de Anders Nielsen. Como sugere o blog Gibizada, uma ótima idéia que poderia ser usada por aqui. Veja as capas.

7 fevereiro 2006

A guerra dos gibis

Histórias em quadrinhos já foram consideradas formas degenerativas de cultura. Até aí nada demais, pois seguem os mesmos processos que ocorreram/ocorrem com outras formas de arte, como os filmes de Hitchcock, o rock' n'roll e o samba, no século XX, e como o funk neste início de século XXI. Um livro recém-lançado, A guerra dos gibis (Companhia das Letras, 448 pp., R$ 52), de Gonçalo Junior, trata da introdução dos gibis no país e do preconceito com que eram vistos. Assim como o samba, os quadrinhos foram sendo aceitos e, enfim, alcançaram o devido reconhecimento como uma nova forma de arte. Não foi fácil - aliás, nunca é fácil derrubar preconceitos. Como consta da apresentação do livro, "de febre juvenil e editorial, os quadrinhos passaram a ser duramente atacados por políticos, jornalistas, artistas, educadores, religiosos e toda sorte de palpiteiros, que enxergavam ali apenas 'monstruosidades e imoralidades', 'subliteratura infame', 'analfabetismo, pobreza intelectual', 'verdadeiras orgias de sadismo, pornografia e estupidez', 'corrupção de menores', 'mitologia truncada e monstruosa'".

31 janeiro 2006

Promoção Agora é com você

Quer ganhar um livro de um dos autores do Portal Literal autografado? Então continue um texto de Luis Fernando Verissimo, Lygia Fagundes Telles, Rubem Fonseca, Zuenir Ventura ou Ferreira Gullar e concorra a um exemplar de um livro do autor escolhido autografado. Envie seu texto para redacao@literal.com.br e boa sorte! Luis Fernando Verissimo Esta é uma história exemplar, só não está muito claro qual é o exemplo. De qualqer jeito, mantenha-a longe das crianças. Também não tem nada a ver com a crise brasileira, o apartheid, a situação na América Central ou no Oriente Médio ou a grande aventura do homem sobre a Terra. Situa-se no terreno mais baixo das pequenas aflições da classe média. Enfim. Aconteceu com um amigo meu. Fictício, claro. Lygia Fagundes Telles Abro meu guarda-roupa e pego a boina e as luvas cor-de-caramelo que a tia fez. Mas essa boina não ficaria melhor sem essa pena de ganso? Mas se tiro a pena pode ficar um buraco no crochê, paciência, eu digo, e enterro a boina até as orelhas. Dou uma eriçada na franja que de tão comprida está entrando pelos meus olhos, tenho que aparar essa franja. Calço as luvas. E aparar as unhas. Olho Matilde que continua taque-taque, roendo as próprias. Rubem Fonseca Eu ainda estou na cama e isto tudo foi a memória funcionando. Ou será que não foi? Eu sou hoje um homem tão cheio de dúvidas. Não sei mesmo se fechei as portas e com isso não consigo dormir, chego até a sentir um pesono meu coração. Eu preciso dormir. Vejamos: na porta da varanda, ao checar o trinco eu fiz ploc-ploc com a língua contra os lábios. Ferreira Gullar Como se o tempo / durante a noite / ficasse parado junto / com a escuridão e o cisco / debaixo dos móveis e / nos cantos da casa Zuenir Ventura Aos que pretendem empreender essa viagem, o autor pede que levem consigo, para o caso de se perderem, três distinções básicas: ciúme é querer manter o que se tem; cobiça é querer o que não se tem; inveja é não querer que o outro tenha. E que prestem atenção: a inveja é um vírus que se caracteriza pela ausência de sintomas aparentes. O ódio espuma. A preguiça se derrama. A gula engorda. A avareza acumula. A luxúria se oferece. O orgulho brilha. Só a inveja se esconde.

21 dezembro 2005

Mais BN

Há duas semanas à frente da presidência da Fundação Biblioteca Nacional, o professor Muniz Sodré conseguiu a liberação de R$ 29 milhões para instalar 400 bibliotecas pelo país, recursos de R$ 1,5 milhão com a Petrobrás, para um plano de supersegurança do acervo, e de R$ 200 mil com a American Express para recuperar obras raras e, ainda, a autorização de um concurso para 84 vagas, o que não acontecia há dez anos.

15 dezembro 2005

Prêmio BN

A Biblioteca Nacional desdobra o prêmio anual literário que havia sido unificado recentemente. Voltam a vigorar as sete categorias que tradicionalmente eram laureadas: romance, poesia, conto, ensaio literário e social, tradução e projeto gráfico, a serem escolhidas entre as obras depositadas neste ano na instituição. O prêmio, individual, a ser concedido no primeiro trimestre de 2006, é de R$ 10 mil.

15 dezembro 2005

Escritoras suicidas

Não cansam de surgir blogs, revistas de literatura e poesia pela rede, mas as Escritoras Suicidas surgem com uma proposta diferente. Com um tema mensal, 18 escritoras (e escritores disfarçados de) experimentam contos e poemas, de diferentes tamanhos e estilos. "Quando se trata de Literatura, não estamos interessadas na discussão (caduca) sobre gênero. A não ser do modo que estamos experimentando, com bom humor, ironia e leveza", afirma uma das editoras do projeto, Silvana Guimarães. A idéia foi de Eliana Pougy, que teve que deixá-lo, e é tocada por Silvana, Silvia Devereaux e Mara Cordello. Reúne algumas escritoras que estréiam com as Suicidas, outras já publicadas, em livros próprios ou antologias, além do cada vez mais prolífero universo dos blogs. Toda autora tem um belo retrato ilustrado por Marcio Enrico. Na entrevista a seguir (clique no título da matéria para lê-la na íntegra), as três editoras falam sobre o projeto, cutucam a mania por rótulos e dizem o que pensam sobre esse papo de literatura feminina. E não deixe de conferir os textos. O tema da primeira edição é justamente sobre... escritoras suicidas.

16 novembro 2005