A guerra dos gibis
Histórias em quadrinhos já foram consideradas formas degenerativas de cultura. Até aí nada demais, pois seguem os mesmos processos que ocorreram/ocorrem com outras formas de arte, como os filmes de Hitchcock, o rock’ n’roll e o samba, no século XX, e como o funk neste início de século XXI. Um livro recém-lançado, A guerra dos gibis (Companhia das Letras, 448 pp., R$ 52), de Gonçalo Junior, trata da introdução dos gibis no país e do preconceito com que eram vistos. Assim como o samba, os quadrinhos foram sendo aceitos e, enfim, alcançaram o devido reconhecimento como uma nova forma de arte. Não foi fácil – aliás, nunca é fácil derrubar preconceitos. Como consta da apresentação do livro, “de febre juvenil e editorial, os quadrinhos passaram a ser duramente atacados por políticos, jornalistas, artistas, educadores, religiosos e toda sorte de palpiteiros, que enxergavam ali apenas ‘monstruosidades e imoralidades’, ‘subliteratura infame’, ‘analfabetismo, pobreza intelectual’, ‘verdadeiras orgias de sadismo, pornografia e estupidez’, ‘corrupção de menores’, ‘mitologia truncada e monstruosa'”.
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