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JB Online

A tropicália vista por dentro

Prestes a ser resgatada em documentário produzido pela O2 de Fernando Meirelles e a Record Films, a trajetória da tropicália acaba de ganhar o testemunho de um dos mais importantes atores da contracultura brasileira. Conhecido por ter encarnado o personagem que sustenta a narrativa de Meteorango Kid – O herói intergalático (1969), grande referência do cinema marginal, o artista baiano multimídia Lula Martins lança agora o livro Mágicas mentiras (Vento Leste, 328 pp., R$ 40), no qual cruza suas memórias com os atropelos da produção cultural (alternativa) do país nos últimos 40 anos. “Há muito tempo venho exercendo várias atividades no campo das artes. Por causa disso, nunca tive uma profissão ou uma especialidade definitiva na vida, e isso é péssimo para as finanças. Escrevi o livro para, sobretudo, reunir os meus cacos, tentar dar unidade aos meus trabalhos e a mim”, reconhece Martins, que leva uma vida low profile.

15 junho 2009

Famoso também é gente

Saiu o Inverdades (7 Letras, 68 pp., R$ 22), do André SantAnna, o gênio da burrice. Mestre em pegar assuntos complexos e ir reduzindo à migalha, André tricota personagens até se transformarem em estereótipos, estereótipos se tornarem signos, signos virarem meros ritmos. Binária, sua literatura quebra comportamentos requintados com equações de primeiro grau, provando que, apesar de toda nossa empáfia, ainda somos uns símios. Este livro de contos do André é provavelmente sua obra mais engraçada, que é outra coisa que ele prova: o texto mais experimental pode ser o mais hilário. A ideia simples por trás dos 15 contos é pegar personagens da “vida real” – na real ex-humanos que viraram convenções em carne e osso, fantasmas de reality show – e observá-los por um olhar situacionista, sem alarde nem ênfase.

13 junho 2009

Promete

Conforme a coluna Informe Ideias, é genial a primeira frase do novo romance de Luis Fernando Veríssimo. Os espiões, cujo primeiro capítulo está no número 4 da revista Granta em português. Veríssimo – que já fizera também paródica abertura em O jardim do diabo (“Me chame de Ismael e não atenderei”) – agora sai-se com esta: “Formei-me em letras e na bebida busco esquecer.”

13 junho 2009

Exagerado!

Ai da literatura – e dos leitores, por supuesto – que não tenha a seu dispor uma Pornopopéia dessas. Porque, caindo nela, não tem jeito: é encharcar-se, lambuzar-se, refocilar-se, gozar até não aguentar mais, de maneira plena, confusa e exagerada, como exige seu autor, o quase sessentão Reinaldo Moraes, que retorna ao romance, depois de 24 anos, com a mesma alma de garoto vadio das ruas de Paris. Desde a capa, na qual o designer Ângelo Venosa desconstruiu uma foto batida por Ronaldo Bressane – um homem alto e grisalho lê e gesticula de maneira exaltada – o livro Pornopopéia (Objetiva, 480 pp., R$ 54,90) parece encarar o leitor e desafiar: “Se não gostou, me espera lá fora”. Mas é melhor estar dentro.

13 junho 2009

Atriz lança biografia

Com apenas nove de idade, a jovem atriz indiana Rubina Ali já está preparando uma biografia com suas memórias. Rubina, que interpretou a personagem Latka no filme Quem quer ser um milionário, dirigido por Danny Boyle, irá contar detalhes de sua rotina na Índia. “Ela narra lembranças de locais abandonados, infestados de ratos e como brincava nos esgotos de Garib Nagar. Mostra sua casa, um barraco de madeira com telhado de lona onde cresceu com seu pai e irmãos", diz um comunicado da editora que irá lançar a obra. O livro, que será lançado pela editora Transworld, chega simultaneamente nos Estados Unidos e Reino Unido no dia 16 de julho.

7 junho 2009

Autor de Tobias Lolness vem ao Brasil

Seu protagonista é quase invisível: mede apenas um milímetro e meio. Mas o sucesso do infanto-juvenil francês Tobias Lolness: a vida na árvore (Rocco, 352 pp., R$ 54,50 - Trad.: Pedro Karp Vasquez. Ilust.: François Place) é um dos maiores dos últimos tempos. Em seu país de origem, conquistou sete prêmios, como o Saint-Exupéry e o Tam-Tam; no resto do mundo, ganhou outros dez, inclusive o Andersen. Narrado em um ritmo contagiante, cheio de sobressaltos, é uma história que se nutre muito bem dos recursos típicos de um bom livro de aventuras: não dá para largar. O autor Timothée de Fombelle, que estreou com Tobias Lolness, conversou com o Ideias sobre sua criação. Ele vem ao Rio, para participar do 11º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens.

7 junho 2009

Romance construído por ação e interpretação

Já foi dito que o romance é uma forma híbrida por natureza. Sob seu teto generoso, cabem confortavelmente outras formas de discurso. Num romance, é possível não apenas falar de cinema, televisão, publicidade, psicologia, política e tantos outros temas como também falar na linguagem mesma desses discursos. O problema, no entanto, é a medida. Há escritores de mão pesada, que exageram na dose. Muitas vezes a ficção (no caso, o romance) serve apenas de instrumento para que o autor passe seu recado. Gustavo Bernardo já provou que sabe fugir dessa armadilha. A mistura aparece bem temperada em vários livros do autor (lembro, entre outros, o romance Lúcia), como no primeiro volume da Trilogia da utopia, O mágico de verdade. Neste, questões filosóficas, são atravessadas por uma questão maior: o que é a verdade? Questão que, por sua vez, está na base de toda a literatura. Pois é justamente aí – no território movediço onde se assenta o conceito de verdade – que Gustavo Bernardo faz cruzarem os discursos da literatura e da filosofia, agora em Monte Verità (Rocco Jovens Leitores, 104 pp., R$ 19), segundo volume da trilogia. Flávio Carneiro é escritor e crítico literário.

6 junho 2009

Filha de Sivuca deve escrever biografia do pai

Filha única do sanfoneiro Sivuca, a socióloga e pesquisadora cultural Flávia de Oliveira Barreto pretende lançar a biografia do pai em maio de 2010, quando o músico completaria 80 anos de idade. As homenagens ao sanfoneiro têm sido muitas. Há alguns dias foi realizada a Sanfonada 2009, evento que promoveu shows, palestras e oficinas em palcos e escolas públicas do Rio de Janeiro.

3 junho 2009

Confronto nas selvas da Birmânia

Em 1942, a Inglaterra ainda lutava para sobreviver no Oriente. Após a avassaladora ofensiva japonesa em 1941, pouco restava aos súditos do rei Jorge VI naquele ano. Os japoneses ameaçavam a Austrália, dominavam o Pacífico e já beiravam a fronteira da Índia, a joia da coroa, para onde as tropas inglesas haviam recuado. Finalmente, em dezembro, os ingleses lançaram a ofensiva de Arakan, que durou até maio, e foi um estrondoso fracasso. A história dos chindits começa em fevereiro de 1942. O livro O menino de Burma (Record, 256 pp., R$ 29 – Trad.: Heloisa Mourão), de Biyi Bandele, conta um pedacinho do que foi a guerra dos leais súditos africanos do Kingi Joji, como era chamado o rei pelos chindits, na luta contra os japoneses em 1944. O autor do livro, Biyi Mandela, é filho de “um menino de Burma”. Cresceu ouvindo as histórias que o pai contava e, já escritor, pesquisou o assunto e entrevistou outros ex-combatentes.

1 junho 2009

Historiador percorre 2 mil anos de Paris

Depois de atravessar as quase 600 páginas de Paris: biografia de uma cidade (L&PM, 598 pp., R$ 94 – Trad.: José Carlos Volcato e Henrique Guerra) – incluindo fotos, ilustrações, mapas, glossário, guia bibliográfico, rol de prédios característicos e um chorrilho de notas – e ainda sopesando o bruto, dá uma vontade louca de cantar o trecho final da marchinha de Alberto Ribeiro e Alcyr Pires Vermelho imortalizada por Carmen Miranda: “Paris! Paris! Je taime/ Mas eu gosto muito mais do Leme”. Feito o chiste cafajeste e carioca, cai-se na realidade: a capital da França é uma cidade extraordinária, e o historiador inglês Colin Jones, autor do catatau, realizou um trabalho não menos extraordinário. E impossível, como o próprio escritor admite na introdução, ao afirmar que a história de Paris é “impossivelmente rica e diversa demais para ser abarcada numa só narrativa”.

29 maio 2009