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Romance construído por ação e interpretação

06 de junho de 2009
2 min de leitura

Já foi dito que o romance é uma forma híbrida por natureza. Sob seu teto generoso, cabem confortavelmente outras formas de discurso. Num romance, é possível não apenas falar de cinema, televisão, publicidade, psicologia, política e tantos outros temas como também falar na linguagem mesma desses discursos. O problema, no entanto, é a medida. Há escritores de mão pesada, que exageram na dose. Muitas vezes a ficção (no caso, o romance) serve apenas de instrumento para que o autor passe seu recado. Gustavo Bernardo já provou que sabe fugir dessa armadilha. A mistura aparece bem temperada em vários livros do autor (lembro, entre outros, o romance Lúcia), como no primeiro volume da Trilogia da utopiaO mágico de verdade. Neste, questões filosóficas, são atravessadas por uma questão maior: o que é a verdade? Questão que, por sua vez, está na base de toda a literatura. Pois é justamente aí – no território movediço onde se assenta o conceito de verdade – que Gustavo Bernardo faz cruzarem os discursos da literatura e da filosofia, agora em Monte Verità (Rocco Jovens Leitores, 104 pp., R$ 19), segundo volume da trilogia. Flávio Carneiro é escritor e crítico literário.

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