Obra de Caio Fernando Abreu é editada
Os personagens de Caio Fernando Abreu externam a necessidade de encontrar outra coisa, algo que intuem como um ponto remoto que não conseguem nominar. Esta impressão, muito presente em sua obra literária, em especial em Onde andará Dulce Veiga?, possivelmente seu melhor livro, é reafirmada, em alguma medida, em sua produção teatral, a julgar pelos textos reunidos no livro Teatro completo (Agir, 280 pp., R$ 49,90). A realidade, ou pelo menos o que se convencionou denominar como sendo realidade, é evitada por muitos dos personagens, que insistem em viver numa espécie de plano paralelo. “Realidade é uma coisa que ela não aguenta mais”, diz Bruno em relação à mulher, Evelyn, que, após a perda do filho, se encastelou num mundo particular, em Reunião de família, adaptação de um texto de Lya Luft. “Ilusão, eu já dizia cá com os meus botões, ilusão é tudo que o humano – esse escombro patético – necessita para continuar existindo”, constata um personagem, não por acaso, denominado de Nostálgico, em Zona contaminada.
8 maio 2009