O livro relido
Profecia da moda: o declínio do livro impresso e a ascensão de formatos de leitura digital; a pesquisadora Ana Paula Paiva evita conclusões apressadas
Sua biblioteca pessoal cresce e você se vê diante de um problema que seus pais não tiveram: como acomodar certos volumes de formato pouco convencional? Essa pequena observação resume algumas das muitas questões abordadas em A aventura do livro experimental (Autêntica/Edusp, 146 pp., R$ 59,90), de Ana Paula Mathias de Paiva. Mestre em Comunicação e Semiótica pela UFMG, doutoranda em educação pela mesma universidade, ela leciona no Centro Universitário de Belo Horizonte. “A diferenciação nos livros considerando aspectos destacados de acabamento especial ganha notoriedade e repercussão dos anos 90 para cá no Brasil, o que coincide com o incremento da indústria gráfica brasileira e abertura de importações (baixa de impostos e barreiras)”, explica Ana Paiva. Com tais evoluções, o objeto livro se transforma e testa seus limites. Quando nosso hábito de leitura está cada vez mais associado ao uso diário de computadores e tecnologias semelhantes, fala-se no fim do livro. “O livro não sai de moda e sua defasagem estaria presa a aspectos retrógrados. Então, o livro que para no tempo, sim, poderá ser descartado por seus aspectos relaxados de edição. Mas não o livro que se revoluciona desde sempre em sua linguagem material e conceitual, convertendo leitura em busca pelo saber, hoje também valorizando em sua unidade acabamentos, formatos, edições especiais, ludicidade, sensorialidade, inovação de projeto, como sinal dos tempos.
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