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Deutsche Welle (Alemanha)

Orhan Pamuk: Ganhar o Prêmio Nobel tornou tudo político

Antecipando a Feira do Livro de Frankfurt, que neste ano tem a Turquia como país convidado, o escritor Orhan Pamuk falou à Deutsche Welle sobre seu novo livro e sobre a atenção política trazida pelo Prêmio Nobel. Em relação ao Prêmio, o autor afirmou: “Quando o meu agente me contou sobre o Prêmio Nobel, o meu primeiro impulso, forte e instintivo, foi dizer a ele que isso não mudaria a minha vida. Agora eu vejo que estava sendo otimista. O prêmio mudou a minha vida – mas não mudou meus hábitos de trabalho. Eu ainda me dedico a uma disciplina rígida, que envolve acordar cedo, escrever, ter um cronograma e por aí vai”. Confira a entrevista completa.

14 setembro 2008

Günter Grass lança nova caixa de confissões

Depois dos escândalos provocados por ocasião do lançamento de Descascando a cebola, o novo livro de Günter Grass, Die box, foi aguardado com ansiedade por mídia e público na Alemanha. A referência do título é a antiga máquina fotográfica fabricada pela alemã Agfa, em formato de "caixa" (box). É com ela, uma "Agfa-box", que a personagem Marie fotografa o dia-a-dia da família no livro. Marie está aqui no lugar de Maria Rama, fotógrafa que por várias décadas retratou a família Grass com sua antiga máquina fotográfica, uma "Agfa-Box" dos anos 1930. A ela, morta há vários anos, Grass dedica este livro, um volume que dá voz a seus oito filhos (legítimos e trazidos de outro casamento de uma de suas ex-mulheres). Todos aparecem, porém, com seus nomes modificados. Mas tão próximos da realidade que os filhos gêmeos de Grass, Franz e Raoul, aparecem no livro como os também gêmeos Patrick e Georg. Para boa parte da mídia alemã, que praticamente só teve acesso ao volume quando este chegava também ao público, nas livrarias, Die box é mais uma tentativa egocêntrica de Grass de garantir, ainda em vida, seu lugar entre os clássicos alemães.

31 agosto 2008

Traduzindo do burocratês para o alemão

Ninguém faz uso tão criativo do potencial do idioma de Goethe quanto os órgãos públicos do país. O resultado: ninguém os entende. O projeto Idema trabalha para facilitar a vida dos cidadãos. E de seus burocratas. Há algo que une os burocratas de todo o mundo: sua língua é tortuosa e inextricável para o leigo. E – não conte a ninguém – muitas vezes até mesmo para aqueles que lidam com ela todos os dias: os próprios burocratas. Quem entende este exemplo genuíno de linguagem jurídica, citado no site ? "Com espia no referido precedente, plenamente afincado, de modo consuetudinário, por entendimento turmário iterativo e remansoso, e com amplo supedâneo na Carta Política, que não preceitua garantia ao cotencioso nem absoluta nem ilimitada, padecendo ao revés dos temperamentos constritores limados pela dicção do legislador infraconstitucional, resulta de meridiana clareza..." etc., etc.. Agora acrescentemos as complexidades próprias do idioma alemão, sua possibilidade quase infinita de aglutinar vocábulos, o sistema de declinações, os verbos separáveis e outros requintes, e se tem uma idéia do que sofrem as vítimas do "burocratês" germânico, no oceano nacional de formulários, requerimentos, intimações e indeferimentos.

19 agosto 2008

As obras universais do escritor Ingo Schulze

Primeiro alemão convidado à Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Ingo Schulze se encanta com os brasileiros. Para ele, o público se identifica com sua obra, mesmo vivendo um cotidiano diferente do dos alemães. Na corrida do dia-a-dia, brasileiros e alemães pouco têm em comum, ao menos na opinião do escritor alemão Ingo Schulze. "Quando um brasileiro se sente ameaçado pela criminalidade em grandes metrópoles como o Rio de Janeiro e São Paulo, passa por experiências bem diferentes das vividas por um alemão que se sente ameaçado", afirma o autor conhecido como um dos principais representantes do movimento literário Wenderoman, centrado no tema da reunificação alemã. De volta de uma viagem ao Brasil, durante a qual participou da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Schulze disse à Dw-world.de que seus contos suscitaram reações "bonitas" do público brasileiro, cujas experiências de vida são "diferentes" das dos europeus. No mês que vem, Schulze lança um novo romance na Alemanha, Adam und Evelyn.

23 julho 2008

Esperanto encontra nova popularidade através da internet

Em tempos de globalização, internet ajuda no ressurgimento da língua planejada esperanto, considerada morta por muitos. Em Roterdã, na Holanda, esperantistas festejaram o centenário da Associação Universal do Esperanto. A língua desenvolvida no final do século 19 com o intuito de contribuir para a paz mundial foi duramente combatida pela purgação estalinista e pela ideologia nazista no século 20. Seu principal revés, no entanto, aconteceu por outro motivo - a falta generalizada de interesse, sem falar da emergência do inglês como língua universal. Mas ao se reunirem na cidade holandesa de Roterdã para o Congresso Mundial de Esperanto, no último final de semana, esperantistas não só celebraram o ressurgimento do interesse pela língua como também o fato de sua associação mundial completar cem anos de existência - um pouco desgastada, mas ainda em ação.

23 julho 2008

1946: Editora Rowohlt lança livros de bolso

No dia 15 de dezembro de 1946 a editora alemã Rowohlt lançou no mercado uma nova coleção de livros de bolso, que deveria ser acessível a todo cidadão. Os volumes eram impressos em papel jornal, tinham uma tiragem de cem mil exemplares e custavam apenas 0,50 marco. Da lista dos primeiros autores publicados faziam parte Kurt Tucholsky, Ernest Hemingway e Joseph Conrad. Os tempos de miséria do pós-guerra forçaram os editores a uma boa ação, para a sorte dos leitores do país. Foi aí que Heinrich Maria Ledig-Rowohlt teve a fabulosa idéia de imprimir livros com papel jornal, aproveitando as rotativas já existentes nos periódicos. Assim, sua editora conseguiu colocar no mercado uma tiragem de 100 mil exemplares para cada título da nova série Rowohlts-Rotations-Romane (Romances da Rotativa Rowohlt - daí a sigla rororo), destinada especialmente ao povo ávido de leitura.

9 abril 2008

Bye bye! Auf Wiedersehen! Línguas vivas, línguas mortas

A Europa se esforça para que sua população se torne trilíngüe. Além das línguas maternas, o inglês, o alemão e o francês são as mais correntes. Outras, ameaçadas de extinção, também precisam urgentemente de falantes. A língua é o veículo de sistemas de valores e expressões culturais, além de ser um fator determinante da identidade de grupos e indivíduos. No caso do alemão, há cerca de 95 milhões de falantes nativos: 82 milhões na Alemanha, 8 milhões na Áustria e 5 milhões na Suíça, aproximadamente. Um destino bem diferente, no entanto, aguarda a metade das línguas faladas em todo o planeta. Segundo dados da Unesco, quase 3 mil dos 6 mil idiomas existentes estão ameaçados de extinção. Noventa e seis por cento deles são falados apenas por 4% da população mundial. A cada duas semanas desaparece uma língua, em média.

27 fevereiro 2008

Walser publica romance sobre último amor de Goethe

O novo romance do escritor alemão Martin Walser, intitulado Ein liebender Mann (Um homem amante), vai ser publicado em episódios no diário Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ), antes do lançamento do livro pela editora Rowohlt dia 07/03. A notícia, divulgada pelo próprio autor, causou surpresa à opinião pública alemã, diante da gravidade do conflito que o escritor tivera com o jornal seis anos atrás. Em 2002, o editor-chefe do FAZ, Frank Schirrmacher, havia rejeitado a publicação prévia do romance Tod eines Kritikers (Morte de um Crítico), alegando que Walser teria praticado um jogo com "clichês anti-semitas" em sua obra. Por isso, não se contava com uma reaproximação de ambos.

1 fevereiro 2008

Alemanha lembra centenário de Simone de Beauvoir

Por ocasião dos cem anos do nascimento de Simone de Beauvoir, a mídia alemã lembra a filósofa francesa como precursora do movimento feminista e ícone do existencialismo ("hoje empoeirado") do último século. Ainda num tempo em que vida e obra mantinham uma certa coerência e o mercado não pairava como instância máxima sobre a literatura, Simone Lucie Ernestine Marie Betrand de Beauvoir se afirmou como uma das principais intelectuais francesas no último século. Na Alemanha, foi lançada a biografia Sein wie keine andere. Simone de Beauvoir - Schriftstellerin und Philosophin (Ser como nenhuma outra). Simone de Beauvoir ­ Escritora e filósofa, de Ingeoborg Gleichauf, além de Simone de Beauvoir und das andere Geschlecht (Simone de Beauvoir e o outro sexo), de Hans-Martin Schöhnherr-Mann.

9 janeiro 2008

Tróia cantada por Homero pode ser mais oriental do que se pensava

Austríaco retraduz Ilíada para o alemão e localiza na fronteira turco-síria o cenário da epopéia sobre a Guerra de Tróia, um revisionismo histórico-literário que deslocaria para o Oriente o berço da cultura ocidental. A descoberta de Tróia se deve ao fato de o alemão Heinrich Schliemann ter levado a sério a Ilíada de Homero e reunido pistas literárias para sua investigação arqueológica. Agora, o escritor e tradutor austríaco Raoul Schrott causa polêmica na Alemanha por sugerir que as descrições homéricas de Tróia remetem às paisagens da antiga Cilícia, localizada na fronteira mediterrânea entre a atual Turquia e Síria. Isso significaria que o berço do Ocidente pode mais ser oriental do que se pensava. Após ter traduzido a epopéia suméria Gilgamesh para o alemão, Schrott, livre-docente em Literatura Comparada, dedicou os últimos anos a uma nova tradução da Ilíada, a ser publicada em março próximo.

5 janeiro 2008