Günter Grass lança nova caixa de confissões
Depois dos escândalos provocados por ocasião do lançamento de Descascando a cebola, o novo livro de Günter Grass, Die box, foi aguardado com ansiedade por mídia e público na Alemanha. A referência do título é a antiga máquina fotográfica fabricada pela alemã Agfa, em formato de “caixa” (box). É com ela, uma “Agfa-box”, que a personagem Marie fotografa o dia-a-dia da família no livro. Marie está aqui no lugar de Maria Rama, fotógrafa que por várias décadas retratou a família Grass com sua antiga máquina fotográfica, uma “Agfa-Box” dos anos 1930. A ela, morta há vários anos, Grass dedica este livro, um volume que dá voz a seus oito filhos (legítimos e trazidos de outro casamento de uma de suas ex-mulheres). Todos aparecem, porém, com seus nomes modificados. Mas tão próximos da realidade que os filhos gêmeos de Grass, Franz e Raoul, aparecem no livro como os também gêmeos Patrick e Georg. Para boa parte da mídia alemã, que praticamente só teve acesso ao volume quando este chegava também ao público, nas livrarias, Die box é mais uma tentativa egocêntrica de Grass de garantir, ainda em vida, seu lugar entre os clássicos alemães.
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