A gente não quer só merenda
Adulta, Eunice Maria de Lima, 59 casou, teve quatro filhos e suspendeu a leitura, trocada pelo ganha-pão como passadeira e costureira. Só voltou a ter acesso aos livros – e a Jorge Amado – quando arrumou um emprego como operadora de máquina copiadora na Mário de Andrade, a maior das 81 bibliotecas municipais de São Paulo. Entre uma cópia e outra, no intervalo do almoço ou no ônibus a caminho de casa, foi devorando Cacau, Mar morto, Gabriela, cravo e canela, A morte e a morte de Quincas Berro d’Água e outros dez títulos de seu ídolo. “Os livros de Jorge Amado mostram uma casa, uma cidade, um Estado, um Brasil sem essa imposição de classes, tão forte e marcante numa cidade como São Paulo. Sem cor. O negro e sua cultura recebem um tratamento de reverência”, compara.
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