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Revista da Folha

Pavilhão das letras

Instalada na área do antigo Carandiru, a Biblioteca de São Paulo terá estrutura adaptada para todos os tipos de deficientes

31 janeiro 2010

Conte até cem

Essa conversa de que quem conta um conto aumenta um ponto foi aqui subvertida. Escritores estreantes (alguns nem tanto) e blogueiros receberam a missão de contar histórias com o limite de cem palavras. Nem ponto nem vírgula a mais ou a menos. São Paulo deveria aparecer como tema, cenário ou coadjuvante nos textos. Para a surpresa da Revista da Folha, dos 20 microcontos que chegaram à redação, três falavam de suicídio e, nos demais, havia sopros de melancolia e toda a sorte de mazelas existenciais. Entre os escritores convidados estão: Marcelino Freire; Paula Maia, Andréa del Fuego; Bárbara Vanessa ; Emilio Fraia; Marcelo Montenegro; Giannetti; Veronica Stigger, entre outros.

13 janeiro 2008

A gente não quer só merenda

Adulta, Eunice Maria de Lima, 59 casou, teve quatro filhos e suspendeu a leitura, trocada pelo ganha-pão como passadeira e costureira. Só voltou a ter acesso aos livros - e a Jorge Amado - quando arrumou um emprego como operadora de máquina copiadora na Mário de Andrade, a maior das 81 bibliotecas municipais de São Paulo. Entre uma cópia e outra, no intervalo do almoço ou no ônibus a caminho de casa, foi devorando Cacau, Mar morto, Gabriela, cravo e canela, A morte e a morte de Quincas Berro d'Água e outros dez títulos de seu ídolo. "Os livros de Jorge Amado mostram uma casa, uma cidade, um Estado, um Brasil sem essa imposição de classes, tão forte e marcante numa cidade como São Paulo. Sem cor. O negro e sua cultura recebem um tratamento de reverência", compara.

1 abril 2007

Heloisa Schürmann no Sempre um Papo

Foram 118 mil milhas náuticas navegadas, 54 países visitados e muita aventura. Na primeira delas, iniciada em 1984, os Schürmann passaram dez anos no mar. Enquanto navegavam, os filhos cresciam a bordo. Os relatos dos 20 anos ao redor do mundo abordo de um barco, por Heloisa Schürmann, poderão ser ouvidos hoje (26/09), no debate e lançamento do livro Em busca do sonho (Record, 266 pp., R$ 39,90), as 19h30, no Teatro da Caixa Cultural (Setor Bancário Sul), em Brasília. O Sempre Um Papo tem entrada franca, num patrocínio da Caixa e Jornal Correio Braziliense, com o apoio cultural da Radiobrás e TV Câmara. Para maiores informações ligue para 61-3414-3450 ou acesse o site.

26 setembro 2006

Sarau na quebrada

Ao contrário de outros tempos, a literatura não tem mais a relevância social que já teve, e cada vez mais o ato de produzi-la perde sua condição de ofício. Na periferia, o escritor é o ornitorrinco, um "outsider" que escapa aos padrões de seu habitat. De que serve, ali, algo que não é ofício? Como esses escritores são solitários. Sacolinha e Alessandro Buzo são ornitorrincos que exercem sua esquisitice na Cooperifa, grupo de escritores da periferia que edita seus próprios livros e promove leituras, criado em 1999 pelo poeta Sérgio Vaz, 42, ex-auxiliar de escritório, no bairro do Pirapozinho, zona sul de São Paulo. Criar bibliotecas também é a maneira de fazer revolução arranjada por Maria Nilda Mota de Almeida, a Dinha, 27, poeta, formada em Letras pela USP. Assim como Sérgio Vaz, Sacolinha e Alessandro Buzo, eles não são o tipo de gente convidada para a Flip (Feira Literária Internacional de Parati). Mas criaram outra, à sua imagem e semelhança: a Flap, que em vez da bucólica Parati ocupa o concreto da praça Roosevelt. Clique aqui e leia trechos de obras de Buzo, Sérvio Vaz e Dinha.

30 julho 2006

Salve, guerreiros

"Não tem erro. Pega a estrada de M'Boi Mirim, quando passar a igreja de Piraporinha, vira à direita e vai dar de cara com a padoca. Na bifurcação, tem uma ladeirona, sobe e já é. Firmeza?" São essas as coordenadas de Alessandro Buzo para quem deseja chegar ao bar do Zé Batidão, sede do Sarau da Cooperifa, que acontece toda quarta-feira, às 20h30. No boteco, cerca de 200 pessoas dividem-se entre as mesas de plástico e a mureta do quintal. Cerveja de garrafa, carne-seca com mandioca cozida e um drinque especial, a "gostosinha", caipirinha de limão com dois dedos de mel no fundo do copo e um palito de sorvete para mexer. São os carros-chefe da casa.

30 julho 2006

Livros ruins também afastam, diz Papert

Precursor da corrente que defende a tecnologia como ferramenta fundamental na educação, o americano Seymour Papert, 77, é o sonhador e idealizador do projeto dos laptops a US$ 100 e há oito meses esteve com o presidente Lula para defender sua proposta. Leia trecho da entrevista que ele concedeu por telefone, do Maine (EUA), onde vive. O computador afasta crianças e jovens dos livros? "Bem, livros ruins também podem afastá-los de livros bons. O que a leitura faz com um indivíduo? Depende se ele lê boa literatura ou tablóides e romances ruins. Da mesma forma, tudo depende da maneira como o computador é usado, e os adultos precisam guiar as crianças nesse mundo, senão elas aprenderão a usá-lo com propósitos errados. É preciso desenvolver novos métodos de ensino que usem a tecnologia digital, e isso deve ser visto como prioridade "top" por todos os países e organizações internacionais." A vida digital distrai alguns pequenos dos estudos? "Sim. Muitos usam um micro de tal forma que ele mina a sua atenção. A culpa não é do mundo digital. Acontece que as crianças têm ferramentas poderosas e não sabem usá-las adequadamente. Se lhes dermos carros velozes, mas nenhuma aula de direção, elas farão coisas terríveis contra si mesmas." Poderia citar alguns educadores que o senhor admira? "O primeiro é Jean Piaget, com quem trabalhei na Universidade de Genebra. Tudo o que penso como educador foi influenciado por ele. E minha segunda maior influência é bem familiar para você: Paulo Freire."

5 fevereiro 2006