Projeto quer dar protagonismo às mulheres do mercado editorial brasileiro
Dois primeiros encontros da iniciativa 'A voz feminina no mercado dos livros' ocorrem na Livraria da Tarde, em São Paulo
Pensando em diversificar as vozes de painéis e eventos de discussão do mercado editorial, a iniciativa “A voz feminina no mercado de livros”, idealizada pela dupla Eliete Cotrim e Mônica Carvalho, da Editora 34 e da Livraria da Tarde, parte do objetivo de debater, valorizar e amplificar a visibilidade das mulheres que atuam em toda a cadeia de produção do livro — desde a escrita e edição até a liderança de grandes livrarias, distribuidoras e editoras. O evento de lançamento do projeto será realizado no dia 18 de agosto, às 19h, na própria Livraria da Tarde (Rua Cônego Eugênio Leite, 956 — São Paulo / SP), e contará com um bate-papo entre a autora e editora Beatriz Bracher e a jornalista Maria Fernanda Rodrigues. A programação é gratuita.
Apesar de serem estatisticamente maioria entre leitores no Brasil, mulheres ainda enfrentam obstáculos para conquistar reconhecimento em premiações e espaços de destaque. Ao PublishNews, Mônica Carvalho afirma que a iniciativa busca mudar esse cenário. Ela conta uma história de que ela e Elite, durante um evento com palestras do mercado editorial, perceberam que as mesas da programação tinham sempre poucas ou até nenhuma mulher como panelista. Depois disso, sentadas num café, começaram a listar as mulheres presentes nas editoras do mercado. “Começamos a listar quem eram essas mulheres e não tinha fim. Somos muitas mas estamos muito nos bastidores ainda”, diz.
Eliete compartilha com o PN sua crescente percepção de que o mercado editorial não vinha escutando o suficiente as mulheres que fazem parte dele. Ela comenta que tem participado de muitos encontros em que a força masculina sempre é representada nas falas, enquanto a força e a fala da mulher ficam no segundo plano: “Eu fiz uma mesa na Feira da Rocha com a Ana Lima Cecilio e me deu um start. Porque eu falei naquela mesa e eu me ouvi, e fazia muito tempo que eu não me ouvia”, afirma.
A partir disso, ela conta que passou a prestar mais atenção na forma como as falas dessas mulheres eram ouvidas nos eventos e convenções do mercado do livro. “Cheguei à conclusão de que a gente ouve pouco da mulher, de um modo geral, dentro do nosso mercado. Sei que são homens que estão à frente, nada contra o que os homens falam, tá? Mas a gente está deixando de ouvir essa mulher que sempre foi colocada como coadjuvante”.
As idealizadoras pensaram o projeto a partir de um olhar otimista, enxergando um aumento de oportunidades, com mais mulheres em cargos destacados nas casas editoriais brasileiras, além de muitas delas encabeçarem a abertura de livrarias de rua e de feiras de destaque no calendário literário. “Hoje, essas mulheres estão contando suas próprias histórias e têm um protagonismo cultural. Na minha visão, esse olhar feminino pode desafiar o controle cultural do passado”, conta Eliete.
Leitura entre as mulheres da população
Segundo resultados da pesquisa Retratos da Leitura, realizada pelo Instituto Pró-Livro (IPL), publicados em 2024, 49% das mulheres e 44% dos homens são leitores. E as pessoas que mais influenciam o gosto pela leitura são as mães ou responsáveis do sexo feminino. Em 2025, o Panorama do Consumo de Livros, da Nielsen BookData, apontou que as mulheres foram 62% daqueles que compraram mais de dez livros naquele ano. Já neste ano, a mesma pesquisa destacou o protagonismo das mulheres pretas e pardas no consumo de livros, representando 30% do total de consumidores de livros e metade das mulheres que compram livros. As mulheres pretas e pardas da classe C formam atualmente o maior grupo consumidor do país.
Para além da presença entre compradoras de livros, Eliete comenta que é necessário ouvir mais a que as mulheres que trabalham com a influência deste mercado estão dizendo. O Painel do Consumo mostra que 56% dos consumidores de livros costumam fazer compras em geral (ou seja, não apenas de livros) por meio das redes sociais. As mulheres entre 25 e 54 anos representam 76% das consumidoras e 26% do total de consumidores de livros que compram por essas plataformas.
Agenda de encontros

- 18 de agosto de 2026 | 19h | Bate-papo entre Beatriz Bracher (atuação pela Editora 34 e Chão Editora) e Maria Fernanda Rodrigues (jornalista e colunista), na Livraria da Tarde
- 24 de setembro | 19h | Bate-papo entre Cecilia Arbolave (Lote 42), Florência Ferrari (Ubu) e Luciana Gi (Bibla), na Livraria da Tarde
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta
