DarkSide estreia Magnética com dez livros e seis novos postos de trabalho
Editora estreia com autores como Gabor Maté e Yann Martel, abre seis postos de trabalho e prepara novas edições de Simone de Beauvoir e Marco Aurélio
A DarkSide construiu sua identidade editorial em torno do terror, do suspense, da fantasia e do true crime. Agora, o grupo abre espaço para outros territórios. A Magnética, nova editora independente dentro do grupo, chega ao mercado com um catálogo dedicado a temas como saúde mental e emocional, comportamento, filosofia, espiritualidade e transformação humana, além de obras de ficção e poesia. A estreia reúne dez títulos e nomes com os veteranos Gabor Maté, Catherine Gildiner, Michael Backes e Yann Martel.
Com identidade, curadoria e linguagem próprias, a nova casa pretende disputar um segmento que cresceu nos últimos anos sem aderir, segundo os seus editores, às fórmulas tradicionais da autoajuda. “A Magnética não trabalha com receitas prontas nem com promessas de sucesso, produtividade ou felicidade permanente”, afirma ao PublishNews a diretora de estratégia editorial Raquel Moritz. “Nossa curadoria privilegia autores e autoras que investigam a condição humana com honestidade, vulnerabilidade e profundidade”, complementa a executiva.
A criação da Magnética também atraiu novos profissionais ao grupo. Seis novos postos de trabalho diretos foram abertos para a operação da editora, além da contratação de profissionais freelancers, entre tradutores, preparadores, revisores, designers, ilustradores e diagramadores, segundo Raquel.
Para breve, a editora prepara a reedição de romances, ensaios e memórias de Simone de Beauvoir (1908-1986) e uma coleção de clássicos em edições bilíngues. O primeiro será Meditações, de Marco Aurélio, o imperador romano, com tradução do poeta e ensaísta Guilherme Gontijo Flores, vencedor dos prêmios APCA e Jabuti de tradução.
Na entrevista a seguir, Raquel Moritz explica por que o Grupo DarkSide decidiu criar uma nova editora em vez de ampliar o catálogo da DarkSide, fala sobre a busca por um espaço próprio em um mercado repleto de livros sobre saúde mental e desenvolvimento pessoal, detalha a autonomia da Magnética dentro do grupo e antecipa os caminhos que pretende percorrer na construção do catálogo.
PUBLISHNEWS — A DarkSide criou uma das identidades editoriais mais fortes do país. O que fez vocês concluírem que era hora de fundar uma nova editora, em vez de simplesmente ampliar o catálogo da casa?
RAQUEL MORITZ — A DarkSide consolidou uma comunidade rara no mercado editorial, agregada a sua identidade e sua origem de fã para fã. Ela seguirá sendo a primeira editora brasileira inteiramente dedicada ao terror, ao suspense, à fantasia e por ter ajudado a pavimentar o caminho da literatura de true crime no país.
A Magnética nasce de outros desejos e necessidades em um mundo pós-pandemia. Busca um diálogo natural com os desafios do dia a dia, abraçando a ciência, a filosofia, psicologia, espiritualidade e na experiência compartilhada do outro. Fugimos das fórmulas prontas para nos aproximarmos da elaboração das perguntas necessárias, criando uma parceria de busca entre o livro e seus leitores, como entre a ciência e vivência real. Falamos a leitoras e leitores que não querem verdades prontas, mas ferramentas para construir suas próprias, e na leitura encontram companheiros de jornada.
PN — A Magnética chega em um momento em que o mercado está repleto de livros sobre saúde mental e desenvolvimento pessoal. Como vocês pretendem construir um catálogo que fuja das fórmulas da autoajuda?
RAQUEL — Acreditamos que transformação não acontece por meio de fórmulas universais. Ela nasce do encontro de perguntas, saberes e compartilhamento. Por isso, a Magnética não trabalha com receitas prontas nem com promessas de sucesso, produtividade ou felicidade permanente. Nossa curadoria privilegia autores e autoras que investigam a condição humana com honestidade, vulnerabilidade e profundidade, sejam eles psicólogos, filósofos, médicos, pesquisadores, escritores ou artistas. O papel da Magnética é criar pontes e diálogos, e conectar vozes que gerem ressonância e significado.
PN — O catálogo inaugural reúne autores bastante conhecidos internacionalmente, como Gabor Maté e Yann Martel. A ideia é equilibrar esses nomes já consagrados com novas vozes e também investir em autores brasileiros?
RAQUEL — Sem dúvida. Estamos construindo um catálogo que reúne autores de grande relevância e novas vozes capazes de ampliar esse diálogo. O que orienta nossas escolhas é a força das ideias, a qualidade da obra e sua capacidade de gerar conversas que permaneçam relevantes ao longo do tempo. Os autores brasileiros possuem uma visão única e capaz de codificar sonhos daqui, dores daqui, e uma vontade que só do que nasce em nossa língua pode transformar o que é nosso.
PN — A criação da Magnética representou a abertura de novos postos de trabalho? Quantas pessoas passaram a integrar a operação da editora?
RAQUEL — Sim, a criação da Magnética representou a abertura de aproximadamente seis novos postos de trabalho diretos, dedicados à operação da editora. Além da equipe fixa, a marca também movimenta uma ampla rede de profissionais freelancers, entre tradutores, preparadores, revisores, designers, ilustradores, diagramadores e outros parceiros, ampliando o impacto da operação em toda a cadeia do livro.
PN — A Magnética nasce como uma editora independente dentro do Grupo DarkSide. Como funciona essa autonomia na prática, tanto nas escolhas editoriais quanto na construção da marca?
RAQUEL — Um grupo editorial amadurece agregando novas vozes. A Magnética possui identidade editorial, curadoria e voz própria. Isso significa que as escolhas de catálogo, o posicionamento e a construção da linguagem da editora seguem uma visão diferente, mas complementar, colaborando com as novas necessidades, questionamentos e trajetória natural de quem alimenta o hábito da leitura.
PN — Existe algum autor ou alguma obra que vocês sonham publicar e que represente exatamente o que a Magnética pretende construir como catálogo?
RAQUEL — Reeditar os romances, ensaios e memórias de Simone de Beauvoir é quase obrigatório para nós, resgatando obras de uma voz feminina que reflete em muitos pontos a essência da editora. Além disso, traremos edições bilíngues de obras clássicas.
Começaremos com Meditações, de Marco Aurélio, um projeto que celebra a língua de origem e a importância de uma tradução criteriosa, profunda e renovada. A edição da Magnética foi traduzida por um profissional que apreciamos muito, o poeta e ensaísta Guilherme Gontijo Flores, que recebeu os prêmios APCA e Jabuti de tradução. É um orgulho trabalhar com profissionais que sejam naturalmente magnéticos em seu ofício.
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