Crise climática começa pelas periferias, defende Tainá de Paula em livro
Já disponível nas livrarias, a obra propõe deslocar o debate ambiental dos grandes acordos internacionais para o cotidiano das cidades brasileiras
A crise climática não chega da mesma forma para todos. Em Território em risco: crise ecológica e o destino das cidades (Oficinar), a arquiteta, urbanista e vereadora carioca Tainá de Paula defende que ondas de calor, enchentes e outros eventos extremos atingem primeiro as populações que vivem à margem das políticas públicas. Já disponível nas livrarias, a obra propõe deslocar o debate ambiental dos grandes acordos internacionais para o cotidiano das cidades brasileiras.
O próximo lançamento será na quarta-feira, 12 de agosto, a partir das 19h, na Blooks Livraria (Praia de Botafogo, 316, em Botafogo — Rio de Janeiro/RJ), com entrada gratuita, conversa com o público e momento de autógrafos.
“A crise climática não é uma ameaça distante, ela já mora nas periferias, nas encostas e nos rios das nossas cidades. Quando uma enchente ou uma onda de calor chega, ela não atinge todo mundo igual. Ela impacta primeiro quem já vive à margem das políticas públicas. Escrevi este livro para tirar o debate climático do plano abstrato dos grandes acordos internacionais e trazê-lo para o chão onde as pessoas de fato vivem”, afirma Tainá ao PublishNews.
Arquiteta e urbanista, Tainá de Paula foi secretária municipal de Meio Ambiente e Clima do Rio de Janeiro entre 2023 e 2026 e reúne, no livro, toda a experiência que acumulou na gestão pública para discutir as relações entre planejamento urbano, emergência climática, desigualdade social e justiça ambiental. Ao longo das páginas, a autora sustenta que enfrentar a crise ecológica exige repensar a forma como as cidades são planejadas, ocupadas e governadas.
“Não existe enfrentamento possível da crise climática sem justiça climática. Os territórios que menos contribuíram para o aquecimento global são, historicamente, os que mais sofrem com suas consequências. Falar de clima sem falar de desigualdade social é ignorar a raiz do problema”, avalia ao PN.
Território em risco é um manancial de propostas para cidades mais resilientes, inclusivas e sustentáveis. Entre elas estão iniciativas de adaptação climática, recuperação ambiental, ampliação da infraestrutura verde e políticas públicas voltadas às populações mais vulneráveis. A autora também oferece alternativas, como programas de reflorestamento com drones, protocolos de mitigação das ondas de calor e o fortalecimento de cinturões verdes agroecológicos — ferramentas usadas em sua gestão.
No capítulo final, a escritora mostra o conceito de Cidades do Cuidado, inspirado nas reflexões da escritora e filósofa Grada Kilomba e em matrizes afro-indígenas. A proposta defende um modelo urbano baseado na escala humana, na ampliação dos espaços públicos, na recuperação ambiental e no fortalecimento das redes comunitárias como caminho para enfrentar as desigualdades produzidas pela crise climática.
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