História da princesa da Cólquida como uma mulher livre
Christa Wolf realiza uma releitura literária e subversiva de um dos mitos mais duradouros e demonizados da tradição ocidental
Em Medeia: Vozes (Estação Liberdade, 216 pp, R$ 68 — Tradução: Carla Bessa), a escritora alemã Christa Wolf realiza uma releitura literária e subversiva de um dos mitos mais duradouros e demonizados da tradição ocidental. Em vez de retratar Medeia sob a ótica clássica de Eurípides — como uma infanticida impiedosa consumada pelo ciúme —, a autora reconstrói a figura da mítica princesa da Cólquida como uma mulher livre, curandeira e dona de uma sabedoria que ameaça o poder estabelecido de Corinto. Por meio de uma estrutura polifônica fascinante, o romance dá voz a diferentes personagens que cercam a protagonista, revelando como uma sociedade patriarcal em crise pode criar bodes expiatórios e moldar narrativas falsas para consolidar a própria dominação. Uma obra-prima densa, poética e de assustadora atualidade sobre exclusão social e a construção da alteridade.
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