Saúde mental e literatura
Casado Velarde apresenta a poesia não como fuga da realidade, mas como modo mais profundo de habitá-la
Vivemos em um tempo marcado por excesso de estímulos, distrações constantes e soluções imediatas para quase tudo. Ainda assim, o mal-estar cresce. Em Mais poesia, menos Prozac (Quadrante, 96 pp, R$ 86), Manuel Casado Velarde propõe uma reflexão sobre essa contradição, mostrando que a crise contemporânea de saúde mental não pode ser compreendida apenas em chave técnica, clínica ou medicamentosa. Sem negar a importância da medicina, o autor chama a atenção para um empobrecimento mais profundo: a perda de sentido, de linguagem interior e de formação da sensibilidade. É nesse ponto que a poesia e a grande literatura aparecem como caminhos privilegiados para recuperar profundidade afetiva, lucidez e humanidade. O livro não apresenta a poesia como fuga da realidade, mas como modo mais profundo de habitá-la.
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