Território de transmutação poética e política
Prosa polifônica de Valarelli Menezes mostra mais da história da Companhia Teatral Ueinzz
Ueinzz: território de transmutação poética e política (N-1 edições, 288 pp, R$ 95) é performance que abre fendas. O registro oficial está lá: hospital-dia, vidas por um triz. Mas o gênero é aventura: Valarelli Menezes guia o leitor por um corpo de baleia onde pincéis atômicos dão o passe à atomicidade plural de Whitehead. A Companhia Teatral Ueinzz nasceu em 1996, no Instituto de Desenvolvimento e Pesquisa da Saúde Mental e Psicossocial chamado A CASA, em São Paulo, mas desde 2002 não tem qualquer vinculação institucional. Ela foi fundada por inspiração de um de seus pacientes, Alexandre Bernardes, que nunca reivindicou seu gesto inaugural e que já é falecido. Um paciente que nunca falava nada enunciou a palavra “Ueinzz” no contexto de um exercício de vocalizações proposto pelos terapeutas-instrutores Peter Pál Pelbart, Erika Inforsato, Paula Francisquetti, Ana Carmen Del Collado e Eduardo Lettiere, entre outros. Foi perguntado se alguém sabia falar outra língua. Esse paciente taciturno disse que sim, que sabia falar alemão.
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