Escritos de intensidade e sobriedade
Joseph Brodsky se lança em uma febril reflexão sobre a história da civilização
Joseph Brodsky, antes de Fuga de Bizâncio (Âyiné, 244 pp, R$ 129,90 — Trad.: Giovani T. Kurz), era conhecido como um dos maiores poetas vivos de língua russa. Com este livro, revelou-se um grande prosador em língua inglesa. Uma parte de Fuga de Bizâncio é composta por textos de memória, centrados em Leningrado. São escritos de intensidade e sobriedade: a evocação de uma cidade que é, antes de tudo, uma categoria do espírito, entrelaçada ao relato de uma juventude na Rússia do pós-guerra, marcada por uma dilacerante precisão. E, junto a isso, um retrato dos pais, que parecem condensar em suas figuras o sofrimento mudo da Rússia neste século. Por fim, na longa prosa que dá título ao volume – e que é também uma fuga no sentido musical do termo — Brodsky se lança em uma febril reflexão sobre a história da civilização, que toca o imperador Constantino e o Islã, a história da Rússia e a natureza do tempo — para citar, ao acaso, apenas alguns dos inúmeros temas que se sobrepõem nesse ensaio.
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