Segundo livro da filha de José Saramago chega ao Brasil em janeiro
'Quando o verão amadurece', de Violante Saramago Matos, reúne textos entre crônica e poesia e será publicado pela editora Rua do Sabão
A editora paulista Rua do Sabão abrirá o seu catálogo de 2026 com um segundo livro da escritora portuguesa Violante Saramago Matos: Quando o verão amadurece reúne textos situados entre a crônica e a poesia, escritos a partir da observação atenta de cenas do cotidiano e dos noticiários.
A partir de vivências, encontros e constatações feitas da varanda de sua casa, a autora constrói reflexões sobre a necessidade urgente de repensar as formas de convivência, tanto nas relações humanas quanto na maneira como habitamos o mundo. Violante estabelece um chamado para que possamos construir “outro tempo neste tempo”.
O livro também reserva espaço para a evocação da memória de seus pais, a artista plástica Ilda Reis (1923-1998) e o escritor José Saramago (1922-2010), presenças constantes em sua formação afetiva e intelectual. O livro será distribuído às livrarias a partir de terça-feira, 13 de janeiro de 2026.

A mesma editora trouxe aos leitores brasileiros, em 2022, o livro De memórias nos fazemos, no qual Violante aborda sua relação com o pai — depois de uma vida discretíssima em relação às suas lembranças de Saramago, vencedor do Nobel de Literatura, um dos maiores autores de todos os tempos.
Nascida em Lisboa, em 1947, a escritora, professora, bióloga e ativista participou da luta estudantil contra a ditadura e a guerra colonial portuguesas, e foi presa política em 1973, quando permaneceu encarcerada por três meses. Essa experiência histórica e pessoal atravessa, de forma direta ou subterrânea, a sua escrita.
Violante prosseguiu com a sua atuação política. Ao longo dos anos, exerceu também cargos públicos: foi deputada na Assembleia Legislativa da Madeira e vereadora na Câmara Municipal do Funchal — experiências que ampliaram o seu olhar crítico sobre a sociedade e o papel do indivíduo no espaço coletivo.
Sobre os textos selecionados para o novo livro, a escritora Luísa Antunes Paolinelli observa que eles “constituem uma viagem feita de pequenos passos em primeira pessoa que ora surpreende com o registo poético, ora enternece num tom memorialista, ora provoca, em timbre irônico, humorístico, dessacralizante, ora narra, com ritmo sedutor”.
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