Leitura coletiva de ‘O jardim das oliveiras’ celebra os 90 anos de Adélia Prado
Encontro '90 anos em 90 minutos' vai reunir poetas na Livraria Bibla, em São Paulo entregando flores em vida a uma das vozes mais influentes da literatura brasileira contemporânea
A Bibla Livraria (Praça Professora Emília Barbosa Lima, 58 — São Paulo / SP) recebe nesta quinta (5), às 19h, o encontro 90 anos em 90 minutos, uma leitura coletiva de poemas de O jardim das oliveiras (Record), obra inédita lançada recentemente por Adélia Prado, dona de uma das vozes mais influentes da literatura brasileira contemporânea.
O evento marca o início das homenagens pelos 90 anos da poeta mineira, que faz aniversário no sábado,13 de dezembro, e reúne as autoras Ana Estaregui, Bethânia Pires Amaro, Bruna Beber, Giovana Madalosso, Lilian Sais, Luana Chnaiderman, Mar Becker, Maria Isabel Iorio, Marilia Garcia, Natalia Timerman e Noemi Jaffe e o autor Caetano Romão.
Adélia vem sendo celebrada dentro e fora do país. Em 2024, recebeu duas das distinções mais importantes da língua portuguesa — o Prêmio Camões e o Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras. Em sua carreira, acumula ainda reconhecimentos como o Griffin Poetry Prize, o Prêmio Jabuti, o Prêmio Biblioteca Nacional e, em 2014, a Ordem do Mérito Cultural.
A editora Record prepara uma série de lançamentos e relançamentos para festejar o tempo bem vivido da poeta. Em 2024 chegaram às livrarias novas edições de Bagagem (1976), Terra de Santa Cruz (1981), O pelicano (1987) e do romance O homem da mão seca (1994).
Para fevereiro de 2026 estão previstas as reedições de Filandras, Miserere e Solte os cachorros. Cada título revisita momentos-chave da trajetória da autora — dos contos de intimidade feminina em Filandras ao salto para a prosa em Solte os cachorros, publicado originalmente em 1979.
Já O jardim das oliveiras, seu livro mais recente, traz 105 poemas que retomam temas centrais de sua obra — cotidiano e sagrado, lucidez e mistério, finitude e espanto. Em versos de forte carga simbólica, Adélia aprofunda a relação entre poesia, transcendência e experiência humana: “era Deus quem doía em mim”, escreve em um dos poemas, num gesto de radical entrega à linguagem.
Nascida em 1935, em Divinópolis (MG), Adélia Prado estreou tardiamente na literatura, após ser descoberta por Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), que recebeu seus originais por intermédio de Affonso Romano de Sant’Anna (1937-2025) e os descreveu como “fenomenais”. Desde Bagagem, lançado pela Imago em 1976, sua obra expandiu-se para a poesia, a prosa, a literatura infantil e o teatro, consolidando-se como um marco da literatura brasileira.
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