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Desconstrução da noção eurocêntrica e racializada dos seres humanos

17 de outubro de 2025
1 min de leitura

Estilo simbolista e poético de 'Água escura' se conecta, assim, aos conceitos mais célebres de Du Bois

Publicada em 1920 e até hoje inédita em português, Água escura (Fósforo, 384 pp, R$ 104,90, com tradução de Floresta, nina rizzi e André Capilé) é a mais singular das obras do sociólogo, escritor e ativista estadunidense W. E. B. Du Bois. Nela, ele desconstrói a noção eurocêntrica e racializada dos seres humanos, promovendo uma ideia de humanidade radical que mais tarde o levaria a ser considerado o pai do pan-africanismo. Para abordar as diversas dimensões da segregação racial dos povos negros, o livro intercala ensaios, narrativas breves e poemas, apresentando uma estética modernista de vanguarda, como explica o professor e pesquisador Matheus Gato em texto de posfácio à edição. O estilo simbolista e poético de Água escura se conecta, assim, aos conceitos mais célebres de Du Bois, como a “linha de cor”, o “décimo talentoso”, o “véu” do subtítulo — que é a divisão que separa as pessoas negras do restante do mundo —, ou até mesmo a “dupla consciência” gerada pelo racismo nos indivíduos negros.

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Beatriz Sardinha

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