Tratando traumas psicológicos
Em romance de Flávia Braz, uma cuidadora que não gosta de idosos passeia pelo tempo e destrincha tragédias, enredando o leitor com diversas revelações
A jornalista e escritora Flávia Braz explora os limites da psique humana com originalidade ao narrar a vida de uma mulher sem filtros, pautada por tragédias pessoais e familiares. Em O que resta a partir daqui (Aboio, 200 pp, R$ 59,90), “a autora escreve como quem pensa, nos prende com garras fortes desde o início com seu humor cáustico”, afirma a atriz e dramaturga Isabel Teixeira, que assina a orelha do livro. Abusando do sarcasmo e da oralidade, o livro cria um suspense desde as primeiras páginas, deslizando pelo tempo, passeando pelas perturbações da protagonista. A infância furtada pela tragédia, o desmonte da família, a rotina do trabalho. As descobertas, ligações e cruzamentos se apresentam de forma original. A personagem não se identifica: é a filha, a prima, a irmã, a cuidadora de idosos; é forte e resiliente. Uma suposta cuidadora que não gosta muito de idosos, que não gosta muito de pessoas, mas mesmo assim está rodeada de personagens que crescem na história e tecem fios que evidenciam as consequências dos acontecimentos ao longo da sua vida até se ligarem costurando a trama. Com frases afiadas e uma ironia contundente, a protagonista vai empilhando traumas enquanto o leitor oscila entre odiá-la e acolhê-la, muitas vezes se culpando por estar rindo dos pensamentos dela por, talvez, também serem os dele.
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