Reunião inédita traz crônicas de Drummond no ‘Correio da Manhã’
A antologia 'A intensa palavra' reúne 150 crônicas de Carlos Drummond de Andrade nunca antes publicadas em livro, organizadas por Luís Henrique Pellanda
A antologia A intensa palavra (Record, 364 pp, R$ 119,90) reúne crônicas de Carlos Drummond de Andrade nunca antes publicadas em livro. São 150 textos originalmente escritos pelo poeta e cronista entre 1954 e 1969 para o Correio da Manhã, antigo jornal carioca que foi perseguido e fechado em diversas ocasiões durante a ditadura militar. A seleção, feita pelo também cronista Luís Henrique Pellanda no vasto acervo pessoal de Drummond, revela a percepção singular do poeta sobre a história política do país e funciona como uma lente que amplia nossa compreensão acerca do tempo e do cotidiano. Pellanda observa, no texto de apresentação à edição, que o cronista é, em essência, “um cortejador de acasos”, e que, apesar de o período em que foram escritas estar claramente marcado nas crônicas, Drummond, mesmo à distância no tempo, consegue captar e transmitir nelas problemas e vivências universais e ainda atuais, aproximando-se dos leitores que “estão sempre buscando alguma confluência entre o que leem e o que vivenciam no seu dia a dia”. A intensa palavra chega, assim, em boa hora para os admiradores das obras de Drummond e para os apaixonados por este gênero literário que, como o próprio autor descreve em uma de suas crônicas mais conhecidas – Fala, amendoeira (1954) –, é um “ofício de rabiscar sobre as coisas do tempo”. E não há forma melhor de explorar as nuances da vida e do tempo do que por meio dos escritos de um dos maiores nomes da literatura brasileira.
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