Uma vida encapsulada
Publicado pela Dublinense, 'Gaiola de esperar tempestades' é o romance de estreia de Gabriela Richinitti
Anos 90. Noites de sexta-feira. Um ônibus faz o itinerário entre a capital e o interior toda semana no mesmo horário. A bordo, duas jovens, apenas elas, levadas a uma convivência que as envolve numa atmosfera de improvável intimidade, criando uma relação que só existe ali dentro. Até que as viagens são interrompidas por um acontecimento brutal. Décadas depois, com o casamento em crise, uma decide sair à procura da outra. Partindo de uma matéria numa revista, ela se lança numa investigação baseada em suposições, memórias difusas e um desejo que se sobrepõe à razão. Ao intercalar passado e presente e brincando com referências que vão de Freddie Mercury a Raymond Chandler e o Papai Noel nos rótulos de Coca-Cola, Gabriela Richinitti constrói em Gaiola de esperar tempestades (Dublinense, 240 pp, R$ 74,90), um romance ambíguo e curioso e que nos faz perguntar: até quando podemos esperar antes de começar a viver?
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