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O destino filosófico da ideia de corpo no século XVIII

27 de agosto de 2024
1 min de leitura

Pesquisador Pedro Paulo Pimenta investiga a transformação da noção de corpo após sua separação da alma

Quando Angélique, filha do filósofo Denis Diderot, foi questionada pelo pai sobre a alma, respondeu: “A alma é feita quando se faz a carne.” Esta resposta ingenuamente materialista serve de ponto de partida para Metáforas do corpo no Século das Luzes (Editora Unesp, 232 pp, R$ 64), obra do professor livre-docente no Departamento de Filosofia da USP, Pedro Paulo Pimenta. Nos ensaios reunidos no livro, Pimenta explora a evolução da ideia de corpo no século XVIII, após sua dissociação da alma, com a qual havia estado ligada desde as Meditações de Descartes, publicadas em 1649. “A ingenuidade da jovem representa para Diderot a confissão de um materialismo espontâneo, crença que todos adotaríamos se não fossem os preconceitos impostos pelas autoridades políticas e religiosas. A filosofia também contribuiu para a disseminação desses erros”, escreve Pimenta. Para o autor, a obra pode ser vista como uma genealogia de um conflito que persiste até hoje: o desejo por bens materiais, de natureza econômica, e o desejo pelos corpos, de natureza sexual.

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Talita Facchini

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