Um livro que fala de pedaços
A obra de Ana Suy fala da maternidade como um grande explorar de lutos
A corda que sai do útero (Planeta, 144 pp, R$ 54,90) fala da maternidade e seus pedaços, como um grande explorar de lutos no decorrer da vida. Seria a própria vida uma grande elaboração de luto pelo que ela é – o que implica irreversivelmente que ela não seja tudo o que não é, simplesmente porque é o que é e não o que não é?. O livro de poemas que Ana Suy manifesta sua urgência em abrir espaços para uma menina viver para além do confinamento social de nossos tempos, para além de A corda que sai do útero. Sabe da necessidade de manter a diferença entre a posição de mãe como Outro “que tem”, do da mulher como Outro que “não tem”. Quer oferecer-lhe a “falta”, propulsor do desejo. Há, na obra, um limite conturbado quando imerso num mundo marcado pela falta de ar. Sem ar, é possível revestir uma estória. Ana Suy é psicanalista, professora universitária e pesquisadora. Autora de Amor, desejo e psicanálise (Juruá), Não pise no meu vazio (Planeta), As cabanas que o amor faz em nós (Planeta), ela se dedica ao amor como objeto principal de suas pesquisas e escrita.
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