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Um recorte rigoroso da obra de Cecilia Vicuña

26 de junho de 2024
1 min de leitura

A poesia da autora escapa à ideia grega de poema e se aproxima dos ritos indígenas, o que provoca no leitor o acesso a camadas de novos sentidos

A poesia de Cecilia Vicuña escapa à ideia grega de poema e se aproxima dos ritos indígenas, o que provoca no leitor o acesso a camadas de novos sentidos, geralmente encobertos pelos significados históricos – colonialistas, elitistas e masculinizados – que pesam sobre as palavras. Nesta antologia, organizada, selecionada e traduzida por Dirce Waltrick do Amarante, com idas a Nova Iorque para conversas com a autora, percebe-se justamente esta potência. Ao reunir os poemas de vários livros a partir de assuntos ou temas – Tessituras, Diário estúpido, Canto da Água, Poemas-atos e Sentidos – Dirce Waltrick do Amarante apresenta em a palavra e o fio (Iluminuras, 144 pp, R$ 69 – Trad.: Dirce Waltrick do Amarante) um recorte rigoroso da obra ceciliana. O algo mais desta poesia insinua-se nestes temas que antes de serem sujeitos de uma linearidade, de uma totalidade pretensamente encerrada em uma obra, em suas linhas de fuga nos propõe pensar e sentir o planeta e a ancestralidade, trazendo os indícios de uma ecopoesia e de uma etnopoesia – conceitos caros à Cecilia Vicuña, uma das poetas e artistas fundamentais do mundo contemporâneo.

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Beatriz Sardinha

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