Um romance gráfico caleidoscópico
Ao longo de nove capítulos, que exploram diferentes gêneros e períodos de tempo, Daniel Clowes cria o quadrinho mais pessoal e maduro de sua carreira ao contar as histórias de vida da personagem ‘Monica’
Monica (Nemo, 112 pp, R$ 89,90 – Trad.: Erico Assis) é uma série de narrativas interconectadas que contam a história de vida – histórias, na verdade – de sua personagem principal. Daniel Clowes coloca no papel uma vida inteira de inspiração para criar a graphic novel mais complexa e pessoal de sua distinta carreira. Monica aparece na maioria dos capítulos deste romance gráfico caleidoscópico. Criada por seus avós, ela se torna uma empresária de sucesso, mas deixa a carreira para descobrir a verdade sobre o abandono de sua mãe, Penny, e os segredos do culto misterioso ao qual ela pode ter se juntado, quando Monica era pequena. Clowes parte da Guerra do Vietnã e da cultura hippie dos anos 1970 e avança no tempo até os EUA dos dias de hoje, com caracterizações fiéis de cada período. Rica em detalhes visuais, com um traço impecável para a linguagem e o diálogo, além de reviravoltas emocionantes, Monica é uma obra-prima em camadas, que faz referência a muitos dos gêneros que definiram os quadrinhos enquanto mídia – guerra, romance, horror, crime, sobrenatural etc. –, mas de uma maneira misteriosa, indescritível e essencialmente clowesiana, que convida a múltiplas leituras. Após cinco anos de produção, Monica marca o auge da criatividade de uma das vozes mais marcantes das histórias em quadrinhos nos últimos 25 anos.
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