O reconhecimento do lugar do erotismo no cânone literário brasileiro
Livro de Eliane Robert Moraes analisa o erotismo nos clássicos da literatura brasileira
A parte maldita brasileira: Literatura, excesso, erotismo (Tinta da China Brasil, 424 pp, R$ 120) traz 16 ensaios da autora Eliane Robert Moraes sobre o erotismo na literatura nacional, produzidos nos últimos 25 anos de sua pesquisa. Inspirada nos conceitos de Georges Bataille de falta e excesso nas paixões humanas, ela estuda neste volume a obra de escritores tão variados quanto Machado de Assis, Nelson Rodrigues, Roberto Piva, Reinaldo Moraes e Hilda Hilst. Ela explica que, para Bataille, poesia é sinônimo de dispêndio. Festas, guerras, ritos sacrificiais e espetáculos são exemplos da necessidade de dilapidação que existe em todas as sociedades, segundo o filósofo francês. A literatura é mais um desses casos: ela é, por definição, o celeiro do excedente. “À literatura destina-se, portanto, a tarefa de guardar os restos, as sobras, os estilhaços, os entulhos”, escreve Eliane. A parte maldita brasileira abre com uma viagem pela origem da palavra “puta”, recuperando a etimologia da palavra no século XII francês e as variações nas línguas latinas. A prostituta é recorrente nas reflexões de Bataille, vale observar, e protagonista de diferentes ensaios de Robert Moraes. A crítica dedica estudos aprofundados sobre sua representação e presença na literatura, no imaginário e nos dicionários. Depois de caminhar por diferentes séculos e gêneros, o leitor se depara no ensaio final com uma topografia da produção literária erótica no limiar dos anos 2000.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta