A história embalada em ficção
Em 'A face mais doce do azar', a professora de literatura Vera Saad apresenta uma obra que mistura a História do Brasil à ficção e o olhar de uma jovem
“Um país que não conhece a sua história está fadado a repeti-la”. A frase do filósofo irlandês Edmund Burke (1729-1797) sobrevoa o romance A face mais doce do azar (Claraboia, 136 pp, R$ 64,90), de Vera Saad, mestre Literatura e doutora em Semiótica pela PUC-SP. Ainda que não fosse uma história bela, sóbria, docemente triste, e muitíssimo bem escrita, a obra teria valor por trazer à memória dos viveram e informar àqueles que não haviam nascido, a desdita dos brasileiros ao fim da ditadura: a morte de Tancredo Neves antes mesmo de assumir a presidência sucedida pela eleição de Fernando Collor de Mello, que confiscou as poupanças da população. A bibliografia ao fim do volume mostra o quanto Vera pesquisou para redigir a obra. Mas o que se lê não é um romance histórico e sim, a vida pelo olhar da adolescente Dubianca, ou Dubi, cujos sonhos e anseios vão se desmanchando junto com as desventuras de sua família – uma típica família da classe média brasileira. A falência da loja que traz o sustento, a doença e o desaparecimento do pai, o casamento da mãe com Alex Dipp, personagem marcante cujas intenções vão se revelando ao longo da narrativa.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta
