Troféu Audálio Dantas reconhece jornalistas com contribuições em defesa da democracia
A 4ª edição do prêmio homenageia Rene Silva, Juliana Dal Piva, Bruno Paes Manso, Leonardo Sakamoto, Gregório Duvivier e Valmir Salaro
Seis jornalistas em diferentes estágios das suas carreiras recebem na próxima terça-feira, dia 6 de junho, às 19h, o Troféu Audálio Dantas – Indignação, Coragem e Esperança, no Auditório Prestes Maia, da Câmara Municipal de São Paulo.
A 4ª edição do prêmio homenageia Rene Silva, Juliana Dal Piva, Bruno Paes Manso, Leonardo Sakamoto, Gregório Duvivier e Valmir Salaro, profissionais reconhecidos agora pela contribuição em defesa da democracia em meio às ameaças às instituições e violações de direitos.
O prêmio é promovido pela Família Kunc Dantas e a OBORÉ, e conta com o apoio do vereador Eliseu Gabriel (PSB), Instituto Vladimir Herzog e de outras entidades. O troféu (São Jorge enfrentando o dragão) é uma escultura de Roger Matua a partir de um desenho de Laerte. O evento ainda celebrará o Dia Nacional da Liberdade de Imprensa (7 de junho).
História do Prêmio
O antigo prêmio jornalístico Indignação, Coragem e Esperança foi entregue ao próprio Audálio em 2017. Depois de sua morte, foi rebatizado com seu nome, consagrando a importância do profissional nos momentos de medo e terror durante a Ditadura Militar.
Conhecido como o repórter que noticiou o escritos de Carolina Maria de Jesus, inclusive seu Quarto de Despejo: diário de uma favelada, Audálio esteve à frente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e organizou junto a defensores da democracia o ato ecumênico por Vladimir Herzog, ocorrido na Catedral da Sé em 1975.
Desde a criação do prêmio, já foram homenageados nomes como Patrícia Campos Mello, Mara Régia Di Perna, Luis Nassif e Jamil Chade, Julian Assange e o Consórcio de Veículos de Imprensa.
Serviço: Troféu Audálio Dantas – Indignação, Coragem e Esperança e Dia Nacional da Liberdade de Imprensa
Quando: 6 de junho (terça-feira)
Horário: 19h
Local: Câmara Municipal de São Paulo (Viaduto Jacareí, 100 – 1° andar | Auditório Prestes Maias – Bela Vista)
Conheça os homenageados da 4ª edição:
Rene Silva – Nascido no Morro do Adeus (28 anos), que pertence ao Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, é o Fundador, com apenas 11 anos de idade, do jornal Voz das Comunidades, veículo que hoje conta com 35 profissionais e noticia os fatos e histórias não contados pela grande mídia sobre a vida na periferia. É referência no Brasil e no exterior. A atuação de destaque nas comunidades locais fez de Rene Silva uma personalidade de projeção internacional. Rene foi palestrante em Harvard (2013), recebeu o Prêmio Mundial da Juventude, na Índia, foi apontado como uma das cem pessoas negras mais influentes do mundo na lista da Forbes Under 30 (que faz o ranking dos influenciadores com menos de 30 anos), e hoje trabalha como captador de recursos para ONGs do setor para incentivar projetos jornalísticos nas escolas. Em 2012, tornou-se uma das personalidades brasileiras escolhidas para carregar a pira olímpica, nos jogos do Rio de Janeiro.
Juliana Dal Piva – Jornalista vítima de assédio de Frederick Wassef, advogado do ex-presidente da República e a autora do livro O Negócio do Jair: A história proibida do clã Bolsonaro. O trabalho investiga as origens do patrimônio e as histórias ocultas da família do ex-presidente. Juliana também apresentou o podcast A Vida Secreta de Jair, do UOL Investiga, série de reportagens sobre os temas do livro, com sua apuração. Nasceu em Santa Catarina (37 anos) e é jornalista com mestrado pelo CPDOC (Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil), da Escola de Ciências Sociais da FGV-SP (Fundação Getúlio Vargas – São Paulo). Foi repórter do Portal Terra, da revista IstoÉ e dos jornais O Globo, Folha de S. Paulo e O Dia. Foi vencedora de prêmios como Líbero Badaró e Embratel, além de ter recebido menção honrosa do Prêmio Vladimir Herzog, por suas reportagens acerca de temas dos direitos humanos.
Valmir Salaro – Repórter paulistano (69 anos) marcado pela cobertura da Escola Base, de 1994, um dos maiores erros jornalísticos e de investigação policial. No documentário “Escola Base: um repórter enfrenta o passado” da Globoplay, de iniciativa própria, Salaro refaz o caminho da apuração, reconhece o erro jornalístico e se perdoa. O jornalista iniciou a carreira como laboratorista no jornal “Shopping News”, foi estagiário na “Gazeta Esportiva” e passou pelo “Diário do Grande ABC”, onde começou a cobertura de temas de segurança pública, que marcaria sua carreira daí em diante. Foi para a Agência Folha e para o jornal Folha de S. Paulo, onde publicou reportagem com a qual venceu pela primeira vez o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Desde 1992, trabalha na Rede Globo, onde é repórter especial do Fantástico, responsável por matérias investigativas sobre crimes de grande repercussão.
Gregório Duvivier – Nasceu no Rio de Janeiro (37 anos) e é apresentador do programa humorístico Greg News (HBO), produzido pelo coletivo Porta dos Fundos, do qual foi um dos fundadores em 2012 e que traduz temas considerados polêmicos sem censura. O semanal Greg News discute pautas de interesse público e em defesa da liberdade e da democracia através do humor e do rigor jornalístico. Duvivier é ator, escritor, poeta, comediante, roteirista, ativista, empresário e Youtuber. Iniciou a carreira artística na escola de teatro Tablado. Graduou-se em Letras pela PUC do Rio. Ainda aos 17 anos, passou a fazer parte, ao lado de colegas como Marcelo Adnet, Fernando Caruso e Rafael Queiroga. É autor dos livros “A partir de amanhã eu juro que a vida vai ser agora”, “Ligue os pontos – Poemas de amor e Big Bang” e “Put Some Farofa”. Como ator ou roteirista, teve participação em dezenas de programas de televisão, séries e longa metragens de grande sucesso.
Bruno Paes Manso – Como escritor, notabilizou-se pelo livro-reportagem “A guerra: a ascensão do PCC e o mundo do crime no Brasil”, que explora a fisionomia do crime no Brasil através de relatos de integrantes do grupo, feito em coautoria com Camila Nunes Dias. Em “A república das milícias: Dos esquadrões da morte à era Bolsonaro”, Paes Manso evidencia a proximidade do bolsonarismo ao sistema de milícias cariocas, que ocorre através do discurso de ódio e a fragilização do controle às armas e das instituições. É formado em economia, além de ser jornalista, mestre e doutor em ciência política. Atualmente, é um dos pesquisadores do NEV (Núcleo de Estudos da Violência) da USP. Como repórter, especializou-se na cobertura jornalística de temas ligados à segurança pública, no jornal O Estado de S. Paulo.
Leonardo Sakamoto – Natural de São Paulo (46 anos), fundou a ONG Repórter Brasil para investigar e cobrir violações dos direitos humanos, e as explorações recorrentes da elite brasileira. Os profissionais da ONG relembram a responsabilidade dos empregadores sobre os empregados. As coberturas recentes da ONG revelaram a exploração de trabalhadores no interior do Rio Grande do Sul, análoga à escravidão. Leonardo Sakamoto é jornalista e doutor em ciência política pela USP. Na área acadêmica, foi professor de Jornalismo na USP e hoje dá aulas na pós-graduação da PUC-SP e coordenou a pesquisa que resultou no estudo Trabalho Escravo no Brasil do Século XXI (Organização Internacional do Trabalho, 2007). Foi vencedor de prêmios como o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos e o Prêmio Combate ao Trabalho Escravo. Em 2012, foi reconhecido e condecorado como Jornalistas Amigos da Criança. Em 2015, estreou em seu blog no UOL.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta
