Apanhadão: Muniz Sodré contesta conceito de ‘racismo estrutural’
Entrevista da Folha de S. Paulo com o professor movimentou o debate intelectual da semana
Uma entrevista do professor e pesquisador Muniz Sodré à Folha movimentou o debate intelectual nos últimos dias. Comentando o lançamento de O fascismo da cor (Vozes), o professor emérito da UFRJ contestou – de maneira respeitosa – o conceito de “racismo estrutural”, em voga recentemente por conta do livro Racismo estrutural (Editora Jandaíra), do agora ministro Silvio Almeida.
“Para mim, o racismo é institucional e intersubjetivo”, explica Sodré na entrevista. “Por isso ele é muito difícil de combater. Você não o pega. Se o racismo brasileiro fosse estrutural, já teríamos acabado com ele. O movimento negro é o movimento mais antigo da sociedade brasileira, ele vem desde a Abolição”.
A coluna Painel das Letras informou que a Companhia das Letras prepara lançamentos e celebrações para o centenário de nascimento de Italo Calvino. São pelo menos seis novos volumes ou edições, bem como uma extensa produção de audiolivros.
Já a tradutora e professora da UFSC Dirce Waltrick do Amarante escreveu sobre a “proliferação de supostos escritores extraordinários — resultado de conspiração que envolve questões editoriais, comerciais e de compadrio em um ambiente de elogios fáceis e desmedidos”, o que seria um empecilho para o trabalho dos críticos. O jornal ainda publicou uma resenha de Adeus, meu livro! (Estação Liberdade), do escritor japonês Kenzaburo Oe, uma matéria sobre o escritor José Henrique Bortoluci e o livro O que é meu (Fósforo), e um artigo sobre a circulação de textos de e sobre o psiquiatra Frantz Fanon – entre outras matérias.
Direto dos Estados Unidos, o escritor Felipe Franco Munhoz compartilhou no Estadão o que tem visto nas celebrações dos 90 anos de Philip Roth. O jornal também resenhou o novo livro de Roberto Taddei, a reunião de textos de Sérgio Buarque de Holanda, Essencial (Penguin), e entrevistou o escritor argentino Alan Pauls.
O Estadão publicou uma história intrigante apurada pelo The New York Times. O artigo traz um questionamento sobre um caso de roubos de manuscritos não publicados nos Estados Unidos, levantando alguns dados do caso e o que levava o acusado ao crime.
Um outro destaque foi a morte do escritor chileno Jorge Edwards aos 91 anos. Ele foi vencedor do Prêmio Cervantes em 1999, com seu livro Persona non grata, revelando seu conflito com o governo de Cuba. O escritor morreu em Madri, na Espanha, na última sexta-feira (17).
Uma notícia foi publicada no portal Terra sobre um escritor marginal que vendeu 10 mil livros entre quatro títulos de sua autoria e decidiu criar uma editora para comportar a demanda das obras. Wesley Barbosa, o autor, montava mesas perto de pontos estratégicos para vender livros, como em frente à Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo, e isso determinou o sucesso de suas obras e a criação da editora Barraco Editorial.
O Nexo indicou livros de psicologia política, entre eles Psicologia das massas e análise do eu, de Sigmund Freud (Trad. Renato Zwick, L&PM, 2013). O Globo ainda trouxe uma crítica do livro Garotas brancas (Fósforo), de Hilton Als. O portal Metrópoles contou a história de um jovem catador que, após estudar com livros doados, passou no vestibular da UnB.
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