Hater: o pânico de muitos escritores
A verdade é que eu me dei conta de que se ainda estivesse com meus livros na gaveta, sem ter publicado e colocado no mundo, eu não estaria sofrendo hate nenhum
Hater ou, em português, odiador é um termo usado na internet para classificar pessoas que postam comentários de ódio ou crítica sem muito critério.
Muitos escritores deixam de publicar seus livros com medo da crítica do outro. Rosa Monteiro, em A louca da casa, fala sobre isso. A verdade é que estamos lidando com a subjetividade humana e a crítica é inevitável. Sem falar que o trabalho dos críticos literários é muito importante para a análise da literatura.
Nesta coluna, não estou falando sobre o trabalho sério de críticos literários, falo sobre haters, pessoas que destilam ódio, sem nenhuma análise e aprofundamento. Muitos deles se escondem por trás de perfis fakes criados para ofender e diminuir o trabalho do outro. As redes sociais, para esses odiadores, viraram uma terra sem lei. Eles se sentem seguros de ofender e tentar destruir o trabalho de pessoas e/ou artistas de forma cruel e irresponsável.
Decidi trazer um pouco da minha experiência para compartilhar com vocês. Eu já fui vítima de diversos haters tanto em relação ao meu trabalho como escritora quanto ao meu trabalho como professora de escrita. Confesso que, anos atrás, isso me afetava psicologicamente. Hoje, eu foco minha energia naquilo que é importante para mim.
Uma vez, chorando, ouvi numa entrevista de uma artista que admirava: “hater é sinal de sucesso. É um indicativo de que seu trabalho está crescendo”.
Para mim, a palavra “sucesso” precisa ser relativizada. Mas essa não é a pauta em questão. A verdade é que eu me dei conta de que se ainda estivesse com meus livros na gaveta, sem ter publicado e colocado no mundo, eu não estaria sofrendo hate nenhum. De algum modo, aquela artista tinha razão. A visibilidade e reconhecimento do seu trabalho podem incomodar pessoas. Pessoas com gostos e pensamentos diferentes. E, algumas delas, com maldade mesmo, destilando ódio.
Como esta pessoa que criou um perfil fake no Twitter para falar mal de diversos livros de autoras contemporâneas. Trago aqui apenas o comentário sobre o meu romance A filha primitiva, vencedor do Prêmio Kindle de Literatura e do Prêmio Jacarandá:

Quando vejo esse tipo de comentário, eu me lembro de dezenas, centenas de depoimentos de leitores que foram tocados pelo meus livros, ou ainda, depoimentos de alunos que participaram de oficinas ou cursos de escrita que ministrei.
Eu decidi construir um banco de mensagens com esses depoimentos lindos, que sempre me emocionam. São as palavras dos lovers que eu levo comigo. Sou muito seletiva. Decidi reter o que é bom e sigo fazendo meu trabalho. Não vou paralisar, porque acredito numa cultura em que o amor vence o ódio.
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