Podcast do PublishNews #437 — A voz feminina no mercado de livros: Beatriz Bracher e Maria Fernanda Rodrigues
Programa reproduz a conversa do primeiro encontro da iniciativa idealizada por Eliete Cotrim, gerente comercial da Editora 34, e Mônica Carvalho, fundadora da Livraria da Tarde
No episódio do Podcast do PublishNews desta semana, ouvimos o primeiro encontro da iniciativa idealizada por Eliete Cotrim, gerente comercial da Editora 34, e Mônica Carvalho, fundadora da Livraria da Tarde: “A voz feminina no mercado de livros”, criada a partir de observações e inquietações que ambas as profissionais vivenciam em suas carreiras no setor editorial. O projeto nasce com o objetivo de debater, valorizar e amplificar o papel das mulheres em toda a cadeia de produção do livro — desde a escrita e edição até a liderança de grandes livrarias, distribuidoras e editoras.
As participantes deste primeiro encontro foram Beatriz Bracher e Maria Fernanda Rodrigues. Escritora e editora, Beatriz discute sua experiência com literatura, diversidade e o mercado editorial brasileiro, em conversa com Maria Fernanda, jornalista especializada em livros e literatura, editora de Cultura e colunista do jornal O Estado de S. Paulo.
Beatriz compartilha sua trajetória como editora desde a Revista 34 Letras, a fundação da Editora 34 e, mais recentemente, com a Chão Editora. Com uma carrerira dedicada à escrita de romances, contos e roteiros, ela já venceu diversos prêmios literários, entre eles o Prêmio São Paulo de Literatura e o Prêmio Biblioteca Nacional.
“Eu escrevia contos e esboços de romances antes de completar 40 anos, mas achava que ser escritor era algo tão incrível e distante que jamais seria para mim. Parecia uma vaidade”, explicou Bracher. “Quando fundei a Editora 34 com mais sete sócios (Pedro, Paulo, Aluísio, Henrique, Bárbara e Catarina), passei a ler os originais que chegavam. A maioria era ruim, mas percebi que havia uma distinção: existiam pessoas que eram escritoras (mesmo que o texto atual não estivesse bom) e pessoas apenas alimentando uma fantasia. Vi que era algo mais simples: a pessoa escreve, envia para a editora e recebe um sim ou um não. A pessoa não era um ‘superescritor’. Decidi tentar. Fiquei oito anos na editora, mas o trabalho e a rotina se tornaram difíceis. Pedi o ano sabático. Um amigo me disse que sabático não era para descansar, mas para realizar um projeto (risos). Peguei esboços que tinha feito aos 20 anos e comecei a escrever. Tive um prazer imenso. Percebi também algo sobre a escrita: quando você escreve um diário ou caderneta para si mesmo, aquilo serve apenas como um elo de memória pessoal. Quando você escreve ficção para o outro ler, não há referente externo. A escrita precisa ter uma verdade própria na coerência e na coesão, porque só restam as palavras na página.”
O Podcast do PublishNews é um oferecimento de Câmara Brasileira do Livro (CBL), Gráfica Viena, MVB América Latina, Nielsen BookData e UmLivro. Você também pode ouvir o programa pelo Spotify, iTunes; Google Podcasts, Overcast e YouTube.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta
