Estudos sobre a teoria da ficção
Publicado pela Todavia, 'O sentido de um fim' é considerado um dos mais importantes trabalhos de crítica literária do século XX
Considerado um dos livros de teoria literária mais importantes do século XX, O sentido de um fim (Todavia, 208 pp, R$ 79,90 – Trad.: Renato Prelorentzou) chega ao leitor brasileiro pela primeira vez. Nele, o crítico Frank Kermode parte do princípio de que o ser humano vive em angústia com a ideia de que sua vida, um período curto demais na história, é um “meio” distante do começo e do fim. Para tentar entender isso, as ficções — literárias ou não — engendram uma espécie de padrão temporal, focado especialmente no fim e na ideia de apocalipse. É algo que os criadores fazem desde Platão e da Bíblia, explica Kermode. As ficções literárias, ao menos as bem-sucedidas, criam um tipo de tempo “equilibrado” que dá sentido ao passado — a origem — e leva a uma expectativa quanto ao futuro — o fim. Uma das distinções mais consideráveis apresentadas sobre isso é aquela entre chronos e kairós. Se o primeiro é meramente o tempo cronológico, o “tempo que passa”, o segundo é uma estação, um ponto temporal carregado de significados. Aplicados ao estudo da ficção, esses conceitos nos ajudam a compreender por que as tramas se afastam da simples sucessão de eventos tão característica do tempo da vida real. Igualmente central para o raciocínio de Kermode é a ideia de peripeteia, a virada inesperada da narrativa que força os leitores a ajustar suas expectativas em relação ao fim. Desde a abertura, Kermode afirma que, dos críticos, se espera apenas que possam “dar sentido às maneiras como tentamos dar sentido à nossa vida”. É precisamente isso o que ele faz neste livro, uma obra essencial para qualquer estudioso ou admirador da literatura.
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