O Brasil Voltou
Em sua coluna, Paulo Tedesco fala sobre o que esperar depois do resultado das eleições
O Brasil voltou, para felicidade geral da nação e para esperança de todos. E voltou num degrau maior, agora como exemplo de democracia, resistência, e principalmente com maturidade, sem estardalhaço ou pirotecnia. O mundo todo nos olha e as cabeças progressistas se perguntam, afinal, como a democracia exemplar, que era a estadunidense, modelo a ponto de influenciar globalmente outras nações, de repente cede para uma nação tão contraditória como o Brasil?
A resposta é que o povo elegeu diretamente, voto a voto, e numa nação continental, recheada de desigualdades, seja em tecnologia, seja com suas sociais e econômicas, um novo presidente do executivo, renovou suas câmaras federais, trocou para novos governadores e suas câmaras estaduais, e trouxe vida nova pelos próximos quatro anos. Enfim, fizemos o dever de casa após as ditaduras militares e ao militarismo tão comum no século XX.
E não é pouco, não mesmo. Mas também renovamos ELETRONICAMENTE, de forma segura, transparente e até com acessibilidade, ou seja, tinha imagem colorida do candidato e candidata e ainda audiodescrição na tela da urna! Portanto, de forma inovadora e sem sequer uma vírgula a ser contestada, demos um espetáculo de vida política.
Não há, no mundo, uma nação como a nossa e com essa capacidade. Não há. E isso nos enche de orgulho. Muito. Afinal derrotar os inimigos da democracia, da cultura e da arte, gente aliada ao nazismo e ao fascismo, à violência e à estupidez, aliados ao poder econômico estatal e privado, não é bem assim. Não foi uma vitória qualquer.
Mas vamos falar de livros, de editoras, da esperança renovada no coração de cada escritor e editor brasileiro pelos programas de incentivo ao mundo do livro e da leitura. Vamos falar da esperança da retomada da economia que solapou o dinheiro do povo. Ora, falam em recessão de 10%, que mentira. Pois se os principais insumos da economia, os alimentos, o material de construção e tudo o mais subiram 100%, alguns 200% ou 300%, como é que podemos ter inflação de 10%? Alguém está mentindo aqui para não reajustar salários e não dar poder ao povo de comprar livros…
E é disso que precisamos, comprar livros. Precisamos mais tradutores e mais peso para financiar a língua portuguesa brasileira fora do país. Precisamos retomar nossa língua, massacrada pelos jargões empresariais e pela indústria digital. Precisamos ensinar inglês, espanhol, chinês nas escolas, mas precisamos salvar o português desse mundo de grandes companhias do mercado digital. Temos, por lógica, que saber ler e escrever em português, antes do inglês.
Só o estado pode proporcionar a retomada. Não há compreensão outra diante da crise profunda, do desemprego e violência, ao que se somam nuvens escuras na economia externa e uma guerra europeia de alcances atômicos. Viva o Brasil, via a democracia e o livro brasileiro.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta
