A pré-história da antropologia estrutural
Publicado pela Bertrand, 'Antropologia estrutural zero' reúne artigos inéditos de Lévi-Strauss que permitem encontrar as questões fundadoras e as primeiras hipóteses de seu trabalho
Marcado pela experiência do exílio, Antropologia estrutural zero (Bertrand, 322 pp, R$ 89,90 – Trad.: Ivone Benedetti) testemunha um momento ao mesmo tempo biográfico e histórico durante o qual – como muitos artistas e estudiosos judeus europeus – Claude Lévi-Strauss se refugiou em Nova York. Escritos entre 1941 e 1947, quando ele ainda não havia abandonado suas reflexões políticas, os 17 capítulos deste livro restauram a pré-história da antropologia estrutural. “Se alguém ainda quiser aprender antropologia, que comece por este livro”, sugere Mércio Gomes, antropólogo e ex-presidente da FUNAI. Antropologia estrutural zero apresenta textos pouco conhecidos, publicados, na sua maioria, inicialmente em inglês e em revistas variadas, textos que para muitos se tornaram até certo ponto inacessíveis. Boa parte é sobre a América do Sul, em que Lévi-Strauss era especialista, e sobre os indígenas do Brasil, país onde Lévi-Strauss foi professor, lecionando na Universidade de São Paulo. Hoje é notório que a publicação de Antropologia estrutural constituiu uma etapa crucial para a divulgação e a expansão do estruturalismo. O livro pôs em destaque o caráter inovador da reflexão e da ambição teórica de um projeto baseado em dados etnográficos muito precisos, aberto tanto para outras disciplinas (linguística, história, psicanálise…), quanto para trabalhos de língua inglesa. A capa é ilustrada com uma fotografia de Sebastião Salgado feita na terra indígena do Vale do Javari (AM).
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