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As feridas de três gerações

27 de setembro de 2022
1 min de leitura

'Agora agora', livro de Carlos Eduardo Pereira, apresenta um jogo narrativo no qual as perversidades da sociedade, em especial as do racismo, se entrelaçam

Jorge Neto acorda com o despertador do celular no dia de seu aniversário, escova os dentes e se corta fazendo a barba. Decidido a não sair de casa, rumina sobre a decadência do mundo em volta e se dedica a lembrar, com abatida mordacidade, de episódios do passado. Em especial, de um outro aniversário, 30 anos antes, quando foi levado pelo pai à academia preparatória de cadetes em Barbacena, a antessala de um período traumático que transformaria sua vida para sempre. Pode parecer que habitaremos os subterrâneos da mente desse homem amargurado até a última página. Mas estamos no preâmbulo de uma história bem maior, composta de três partes – e de três Jorges: o avô, o filho e o neto – que encadeiam violências concretas e simbólicas ao longo de gerações de uma família negra carioca. Em Agora agora (Todavia, 216 pp, R$ 64,90), romance inquieto e furioso, Carlos Eduardo Pereira instiga o leitor com um hábil jogo narrativo no qual as perversidades da sociedade brasileira, sobretudo as feridas do racismo, se entrelaçam e se propagam na vida das personagens.

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Talita Facchini

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