Um vaivém no tempo com Caetano Veloso
Publicado pela Fósforo, 'Lançar mundos no mundo' é uma reedição do 'Folha Explica: Caetano Veloso', revisto e atualizado por Guilherme Wisnik e que mostra Caetano como um artista plural
Artista polêmico e camaleônico, Caetano Veloso é uma das mais complexas personalidades da cultura brasileira. Presente em praticamente todas as discussões que envolvem o contexto sociopolítico e cultural do país, o cantor e compositor chega aos 80 anos produzindo e participando ativamente do debate nacional, conectado com o que há de mais atual e vanguardista. Lançar mundos no mundo: Caetano Veloso e o Brasil (Fósforo, 208 pp, R$ 69,90), uma reedição de um ensaio do Folha Explica: Caetano Veloso (PubliFolha, 2005), revisto e atualizado por Guilherme Wisnik, analisa com acuidade obras do músico lançadas até hoje. O autor, em uma “ambição original um pouco quixotesca de ‘explicar’ Caetano”, entrelaça seu perfil biográfico e intelectual ao estudo aprofundado dos aspectos que envolvem todos os discos, dos momentos históricos em que estão inseridos, das relações de Caetano com outros músicos nacionais e estrangeiros, bem como do respeito que ganhou do público ao longo das décadas. Do exílio na ditadura militar às querelas envolvendo a lei Rouanet no governo Bolsonaro, Caetano sempre se fez ouvir tanto por meio de sua música quanto por sua opinião. E em todos os momentos foi polêmico, assertivo e contraditório: tudo o que se espera de um artista plural. Lançar mundos no mundo apresenta um vaivém no tempo, formalizando no ensaio o que faz o artista na vida, ao adequar suas convicções, sem se apegar aos modismos.
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