Mário de Andrade sob uma nova perspectiva
Em livro publicado pela Ubu, a professora Eliane Robert Moraes analisa as obras do autor sem perder o foco no tema da sexualidade
A obra de Mário de Andrade é atravessada por uma profunda inquietação em torno do sexo. Poucos sabem, por exemplo, que o livro Macunaíma teve uma passagem censurada que vigora até hoje. Pulsante e permanente, essa inquietação se traduz tanto na exploração do domínio erótico, de notável amplitude, quanto na incessante busca formal que o tema lhe impõe sem descanso. Na tentativa de reconhecer a silhueta de Eros nas tantas faces que o próprio escritor se atribuiu, sua produção literária se vale dos mais diversos recursos formais para dar conta de uma dimensão que parece continuamente escapar. Daí que o sexo venha a ser alçado ao patamar das suas grandes interrogações, onde se oferece na obscura qualidade de incógnita. Foi a partir dessas constatações que Eliane Robert Moraes concebeu a Seleta erótica de Mário de Andrade (Ubu, 320 pp, R$ 99), desdobrando-as em diversas perguntas pontuais, sem perder o foco na sexualidade. Fruto de uma visitação intensiva aos escritos do autor, o trabalho de seleção buscou contemplar tanto a variedade de gêneros por ele praticada quanto as diversas fases de sua obra, sem negligenciar aspectos biográficos ou editorais. Embora o volume tenha privilegiado os títulos mais representativos em termos de erotismo, com particular atenção aos textos canônicos, considerou-se pertinente apresentar exemplos da “obra imatura”, ainda pouco conhecida, além de amostras da grande massa de manuscritos ainda não publicada.
Leia Também
Gostou deste conteúdo?
Receba análises exclusivas como esta toda semana no seu email
Toda segunda e quinta