Concepções de infância nos escritos de Clarice Lispector
Obra analisa as diferentes visões da autora sobre a infância, a partir de textos escritos para o público adulto e para o infantil
No livro As crianças de Clarice (Editora Unicamp, 200 pp, R$ 56), a autora Mell Brites investiga o modo como Clarice Lispector retrata a infância em sua obra, ao mergulhar em uma seleção de contos para o público adulto e nos livros infantis da escritora. A infância é importante matéria-prima na literatura brasileira, sendo percebida, avalia Brites, a partir de um viés ora do encantamento e do mágico, ora da privação e do sofrimento. Para compreender as diferentes visões da infância presentes na obra de Clarice Lispector, Brites cria dois eixos de análise: o primeiro perpassa os contos Restos do Carnaval, Cem anos de perdão, Felicidade clandestina e Os desastres de Sofia, voltados aos leitores adultos; e o segundo foca nos livros A mulher que matou os peixes, O mistério do coelho pensante e A vida íntima de Laura, passando também de forma mais breve por Quase de verdade e Como nasceram as estrelas, todos direcionados ao público infantojuvenil. É por meio dessa seleção de textos que Brites desvenda uma infância ao mesmo tempo árida e encantada, prazerosa e sofrida, na literatura clariciana, além de trazer à tona a tentativa da escritora de se reaproximar deste período da vida. Clarice, em contato com o modo de ser e pensar infantil, parece estar em busca daquilo que há de mais visceral na existência, intenção que se faz clara já no seu primeiro romance, Perto do coração selvagem.
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