Autor brasileiro leva ‘Opulência’ para performance em Viena
Luis Krausz fará evento no formato 'lesung', espécie de contação de histórias para adultos, na Áustria, terra de seus antepassado retratados em seu quinto livro; autor já ganhou o Prêmio Machado de Assis e foi duas vezes finalista do Jabuti
Luis Krausz, professor do Departamento de Letras Orientais da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da USP, vai protagonizar nesta terça-feira (14), em Viena, Áustria, uma sessão de lesung de Opulência, seu quinto romance, lançado pela Cepe (Companhia Editora de Pernambuco). O livro foi classificado para a semifinal do Prêmio Oceanos em 2021. Também tradutor, Krausz vai conduzir o debate em alemão e português.
“Lesung” é uma palavra alemã que define um tipo de leitura literária presencial diferente nos formatos habituais no Brasil. O autor faz uma longa leitura de uma obra, com muitos trechos, ou, se o texto for curto, pode ser até uma leitura completa. A ideia é afastar o tédio que o modelo de narração presa ao texto pode provocar. Os autores assumem um pouco a contação de histórias, que é preparada para atrair atenção, com comentários, lembranças do processo criativo e, se possível, bom humor.
“Esse formato de leitura é praticamente desconhecido no Brasil, mas muito comum na Europa de língua alemã. O autor seleciona trechos da obra e os lê, numa espécie de performance que é também uma contação de história. Depois, um mediador faz perguntas e comentário, e em seguida o público também pode dialogar com o escritor. Acho um formato bastante agradável para aproximar o público de uma obra desconhecida”, comenta Krausz.
Opulência trata da memória dos imigrantes austríacos que buscaram refúgio no Brasil à época da perseguição nazista. Krausz destaca que, de certa maneira, ir a Viena para essa leitura é o caminho inverso percorrido com os seus até passados.
É a primeira vez que Opulência será divulgado dessa forma fora do Brasil, mas o autor já é familiarizado com lesung. Fez várias apresentações de obras anteriores, como no festival de literatura LitCologne, nas feiras do livro de Leipzig e de Frankfurt, na embaixada do Brasil em Berlim e em uma longa lista de universidades e livrarias.
O autor ganhou o Prêmio Machado de Assis em 2018, com Outro lugar (Cepe), e foi finalista duas vezes do Jabuti na categoria Romance, com Bazar Paraná, em 2016, e Deserto, em 2014, ambos lançados pela Benvirá.
Fica a sugestão para editoras e livrarias brasileiras se arriscarem no formato lesung.
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