As múltiplas etapas do sofrimento
Mistura de ficção e vida pessoal, livro do argentino Santiago H. Amigorena é uma meditação sobre a infidelidade e o amor
Na obra Dias que não esqueci (Todavia, 160 pp, R$ 59,90 – Trad.: Julia da Rosa Simões), do autor argentino Santiago H. Amigorena, o narrador percebe que está sendo amado pela metade quando sua esposa se apaixona por outro homem. Para lidar com essa situação, que o faz roçar a loucura e o desespero suicida, ele embarca em uma dupla jornada: geográfica e interior, cruzando a Itália enquanto busca entender o momento que está vivendo. E, como um soldado abatido e indefeso, ele apresenta aos leitores uma história íntima, modesta e concisa sobre o amor no século XXI, convidando-os a caminhar a seu lado, enquanto ele mesmo se perde evocando sua mulher (a quem não deixou de amar intensamente) pelas ruas de Roma, cidade em que viveu quando jovem e onde tentará retomar toda a vida que sente que lhe foi roubada. Verdadeira crônica de um amor ferido, Dias que não esqueci tem capítulos breves e poderosos. Amigorena faz aqui uma espécie de poética da dor de cotovelo (ou do ressentimento amoroso) em que a confissão, a sinceridade e o entendimento do caráter breve da vivência humana são seus aliados do início ao fim.
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