A morte de um casamento
Em 'Meu coração', a autora Else Lasker-Schüler assume diferentes alter egos para informar o marido de suas infidelidades
Considerado pela Deutsche Welle um dos cem livros alemães mais importantes do século XX, Meu coração (Rua do Sabão, 164 pp, R$ 50 – Trad.: Murilo Jardelino e Ebal Bolacio) situa-se no Café des Westens, o epicentro da Berlim expressionista do início do século XX. Na obra, a autora Else Lasker-Schüler narra a morte de seu casamento em uma série de cartas para seu marido, Herwarth Walden, editor do jornal de vanguarda Der Sturm. Assumindo o disfarce de alter egos como Tino de Baghad ou o Príncipe de Tebas, Else tece uma teia de fantasias orientais para informar o marido de suas infidelidades. Ao fazer isso, transforma uma crise pessoal em uma metáfora para o fim de uma era. Estrelado por uma série de artistas importantes, incluindo Karl Kraus, Alfred Döblin, Oskar Kokoschka, Karl Schmidt-Rottluff, Emil Nolde e Arnold Schönberg, Meu coração oferece um vislumbre de um dos períodos mais artisticamente vibrantes de Berlim.
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