As relações humanas em tempos de pandemia
Novo livro de Cristovão Tezza conta a história de Beatriz e Gabriel e a aproximação entre ambos que aos poucos embaralha certezas intelectuais, morais e afetivas
Em 2020, experimentando o primeiro alívio depois do período mais duro da pandemia, a tradutora Beatriz volta a frequentar um café perto de sua casa, em Curitiba. A pausa no trabalho meticuloso da personagem — a tradução para o português dos ensaios de um polêmico pensador catalão — é interrompida por uma surpresa: a aparição do jovem poeta Gabriel, que a conheceu ainda adolescente. A abordagem tímida e estabanada acaba evoluindo para uma relação peculiar, matéria deste novo romance de Cristovão Tezza, Beatriz e o poeta (Todavia, 192 pp, R$ 69,90). Dando voz aos personagens, Tezza questiona: como sair da imobilidade da quarentena e do horror político vivido nos últimos anos? E para responder à pergunta, o autor apresenta duas perspectivas. Uma está grudada nos pensamentos e atos de Beatriz, antiga personagem de livros seus como A tradutora e Um erro emocional. A outra é a voz em primeira pessoa de Gabriel. Na alternância de ambas, os registros também se opõem e complementam. Prosa e poesia, ficção e ensaio, racionalidade e instinto, tudo espelha um mundo fragmentado, em que antigas noções de identidade mudam em ritmo fulminante.
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