Uma crítica ao movimento feminista moderno
'Feminismo na periferia', de Mikki Kendall, reúne ensaios que apontam para a legitimidade do movimento no mundo moderno
O movimento feminista de hoje tem um ponto cego gritante e, ironicamente, são as mulheres. A escritora, ativista e crítica cultural Mikki Kendall argumenta que raramente se fala sobre atender às necessidades básicas como uma questão feminista, mas a insegurança alimentar, o acesso à educação de qualidade, bairros seguros, salário digno e assistência médica são questões feministas. Muitas vezes, no entanto, o foco não está na sobrevivência básica para muitas, mas no aumento do privilégio para poucas. O fato de as feministas se recusarem a priorizar essas questões apenas exacerbou o antigo problema tanto da discórdia internacional quanto das mulheres que se recusam a carregar o título. Além disso, feministas brancas proeminentes sofrem amplamente de sua própria miopia em relação a como coisas como raça, classe, orientação sexual e habilidade se cruzam com gênero. Como podemos ser solidárias como movimento, pergunta Kendall, quando há a clara probabilidade de que algumas mulheres estejam oprimindo outras? Na coleção de ensaios reunidos em Feminismo na periferia (Rua do Sabão, 303 pp, R$ 60 – Trad.: Camila Javanauskas), Kendall aponta para a legitimidade do movimento feminista moderno, argumentando que ele falhou cronicamente em atender às necessidades de quase todas as mulheres.
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