Novos tempos e costumes
Em meio a conflitos familiares, intrigas religiosas e amores juvenis, livro de Reginaldo Prandi fala sobre o avanço da tecnologia, do risco de perder as raízes e, ao mesmo tempo, da importância de mudar.
Motivos e razões para matar e morrer (Companhia das Letras, 336 pp, R$ 74,90), de Reginaldo Prandi, se passa nos anos 1950, durante a modernização do Brasil, que se mostra inevitável. Apesar de remota, uma cidadezinha do interior do país precisa se adaptar à nova realidade ao mesmo tempo que passa a vivenciar uma inesperada onda de crimes. Mateus, depois da morte dos pais, muda-se para a casa dos avós, levando consigo, além de sua inquietude, uma gaiola – a representação física de algo inominável que mora em seu íntimo. A ele e à sua família se junta um grande caleidoscópio de personagens conhecidos nesses municípios, como a vizinha fofoqueira, o Don Juan que mora com a mãe e o grupo de coroinhas. Aos poucos, a cidade vê chegar gente, gostos, artes, tecnologias e costumes novos que confrontam a antiga moralidade e os velhos hábitos, e pouco a pouco deixa para trás um mundo que se esvai para que outro desponte em seu lugar.
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